Observação de aves dinamiza turismo na pequena ilha do Corvo
29 de fev. de 2024, 19:10
— Lusa
“Dinamiza
absolutamente a economia local, porque chegam a estar mais de 60
pessoas na mesma altura na ilha”, disse à Lusa o presidente do único
município do Corvo (com o mesmo nome), José Manuel Silva, na semana em
que os Açores estão em destaque na Bolsa de Turismo de Lisboa.Segundo
o autarca, a procura do Corvo para a observação de aves começou “há
mais de uma década”, por mera casualidade, e desde então tem vindo a
revitalizar a ilha, onde residem perto de 400 habitantes.“Se
tivermos 50 ou 60 pessoas na mesma altura durante um mês ou um mês e
meio, estamos a falar de um retorno económico bastante interessante para
a economia local. E é muito importante para a ilha, porque ocorre na
época baixa", explicou o autarca, indicando que a atividade se estende
até ao início do mês de novembro.A
presença dos observadores de aves esgota o hotel da ilha e os
alojamentos locais. “Alguns ficam em casas particulares, porque no
início a ilha não tinha a capacidade de resposta de alojamento que tem
atualmente. São pessoas que vão ao Corvo há 10, 12 e 13 anos e que
continuam a ficar nessas casas particulares”, explicou José Manuel
Silva.Os visitantes são oriundos de várias
partes do mundo, com muitos registos de europeus, em particular
ingleses, franceses e belgas. Saem de madrugada e só regressam à vila ao
final do dia."Não quer dizer que nas
outras ilhas não existam aves migratórias, mas no Corvo acaba por ser
especial, porque é mais fácil eles juntarem-se e seguirem em grupo, e no
final registam tudo nos seus diários de bordo", referiu o autarca.Além
de ser muito importante para dinamizar a ilha, é um turismo que o
município considera “de qualidade”, com “pessoas extremamente
organizadas, com respeito pela natureza”.O
Centro de Interpretação de Aves Selvagens do Corvo é a primeira paragem
obrigatória para aqueles que querem conhecer o Parque Natural e a
Reserva da Biosfera da ilha.O equipamento,
na dependência da Secretaria Regional do Ambiente e Alterações
Climáticas, existe desde 2019 e está instalado na parte histórica da
vila.No espaço, "é possível explorar a
temática das aves selvagens que ocorrem no Arquipélago, bem como a
prática de observação de aves, atividade de turismo que distingue o
Corvo como um local de elevada importância no contexto do ‘birdwatching’
internacional", lê-se na página na Internet do Centro de Interpretação.
Há “vários equipamentos multimédia com
conteúdos alusivos ao Parque Natural e à avifauna” como um painel de
avistamentos, um holograma e um livro ilustrativo das aves “invernantes,
migratórias, nidificantes e acidentais observáveis na ilha".Os
visitantes têm ainda a possibilidade de viajar pela ilha através de uma
experiência de realidade virtual, com um vídeo de aproximadamente cinco
minutos que "permite uma melhor compreensão da interação entre o Homem e
o ambiente".O Centro integra também a
última atafona do Corvo, edifício onde, até início da década de 1960, se
realizava o principal processo de farinação da ilha.Os
Açores são o destino nacional convidado da edição deste ano da Bolsa de
Turismo de Lisboa (BTL), que decorre desde quarta-feira até domingo, no
Parque das Nações. A Associação de
Observadores Marítimo-Turísticos dos Açores (AOMA) é uma das entidades
presentes, procurando promover a observação de baleias e golfinhos no
mercado nacional. “Há turistas que vêm
aos Açores apenas para ver baleias”, contou o vice-presidente, Rui
Cabral Melo, referindo-se sobretudo aos estrangeiros.
A observação de baleias e golfinhos no arquipélago teve início há
cerca de 30 anos, quando o iatista francês Serge Vialelle instalou na
vila das Lajes do Pico uma base da atividade, aproveitando o
conhecimento dos antigos baleeiros da ilha, que caçavam cachalotes para a
indústria baleeira.Hoje existem dezenas
de operadores licenciados, divididos entre a observação de baleias e o
mergulho, a maioria deles nas ilhas do Triângulo (Faial, Pico e São
Jorge).O crescente número de empresas e a
crescente procura dos turistas já levaram o Governo Regional, por
proposta da Assembleia Legislativa, a estudar o impacto ambiental que os
barcos e os turistas têm nas baleias e nos golfinhos.“Impacto
ambiental existe sempre”, referiu Rui Cabral Melo, admitindo a
necessidade de existirem “mais regras e procedimentos” na atividade,
“mas sem radicalismos”.