Obras do metro de Lisboa com desvio de 500 ME e atraso entre 18 e 30 meses
22 de out. de 2024, 17:49
— Lusa/AO Online
Cristina Pinto Dias falava numa
audição na comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação da
Assembleia da República, em Lisboa, a requerimento do PS, sobre “atrasos
nas obras do metro de Lisboa”.Na audição,
a secretária de Estado começou por reconhecer que as notícias que tinha
para dar aos deputados “não são boas, mas não são novidades”,
garantindo, no entanto, que “não há reversões”, nem tão pouco haveria
“utilização política dos dossiês”.“Todos
os projetos que recebemos nesta pasta de transição são para executar […]
e não tencionamos fazer política com o assunto. Mas, à data da tomada
de posse deste Governo, os atrasos verificados nas obras são um desafio
para o cumprimento do calendário de financiamento comunitário. Esta é a
realidade”, afirmou.De acordo com a
responsável, os atrasos nos prazos de concretização das três linhas em
questão, Amarela/Verde, Vermelha e Violeta, variam entre os 18 e os 30
meses e os desvios orçamentais estão próximos dos 500 milhões de euros,
com risco de comprometer fontes de financiamento comunitário, “se nada
fosse feito”.Cristina Pinto Dias lembrou
também que o financiamento europeu está igualmente interligado com as
obras, e que, além do investimento em material circulante e sistemas de
sinalização e segurança “que já contam mais de 40 anos”, estão em curso
as obras na linha Amarela e Verde (linha Circular), na linha Vermelha e a
criação da nova linha Violeta.As obras
vão somar mais 17 quilómetros, aos atuais 44,5 km de rede, e 23 novas
estações, às atuais 56, num investimento total de “1,200 milhões de
euros”, segundo a governante.A linha
circular, o prolongamento entre as linhas verde e amarela na ligação do
Rato ao Cais do Sodré, tinha prevista a sua conclusão em dezembro de
2023 e um custo de 210 milhões de euros, no entanto, de acordo com a
secretária de Estado, foram realizadas quatro revisões, que previam
aumento da despesa e a conclusão de trabalhos.A
ultima revisão, aprovada em julho do ano passado, em Conselho de
Ministros, autorizou a manter o valor do investimento em 331,4 milhões
de euros (valor já anteriormente alterado) e a conclusão dos trabalhos
prevista para o último trimestre de 2025, ou seja, mais dois anos face
ao prazo inicial.Em junho, a empresa
informou que a previsão atual da conclusão da linha Circular será no
segundo trimestre de 2026, mais 30 meses face ao prazo inicial.Em
relação ao estado da obra, a empreitada foi dividida em quatro lotes,
encontrando-se concluídos o lote 1 e 3, enquanto o lote 2 está em curso
com finalização prevista para o terceiro trimestre de 2025, salientou a
secretária de Estado.Já o lote 4 aguarda
parecer favorável da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil
(ANEPC), tendo a finalização prevista para o segundo trimestre de 2026,
explicou.Atualmente este projeto, com um
valor total de 331,43 Milhões de euros (103 milhões de euros do POSEUR,
94 milhões de euros do Programa Ação Climática e 134,43 do Fundo
Ambiental), sem recurso a PRR e com uma taxa de execução de 65%,
apresenta um desvio de calendário de cerca de 30 meses e um desvio
orçamental de 121,4 milhões de euros, mais 58% face ao inicialmente
previsto.Em relação à linha Vermelha foram
registadas duas revisões ao projeto inicial, que tinha um valor total
de investimento de 304 milhões de euros do PRR, e cuja previsão de
conclusão era de dezembro de 2025. Desta forma, houve um aumento de
despesa para os 405 milhões de euros e alterada a conclusão dos
trabalhos para o segundo semestre de 2027 (mais 18 meses).Atualmente,
de acordo com Cristina Pinto Dias, este projeto, que esteve suspenso
durante cinco meses, tem um desvio orçamental de 101,4 milhões de euros,
mais 33% face ao inicialmente previsto, apresentando uma taxa de
execução de 1,4%.“Neste momento já foi
levantado o efeito suspensivo de cinco meses que teve pelo tribunal,
aguardando pelo Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de
Execução (RECAPE) da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e pelo parecer
favorável da ANEPC”, explicou a secretária de Estado.Os
405,4 milhões de euros de investimento provêm 88% do PRR, sendo 357,51
milhões de euros a somar aos 47,9 milhões de euros provenientes do
Orçamento do Estado.Quanto à linha
Violeta, o projeto previa um investimento de 250 milhões de euro para a
empreitada de conceção e construção da infraestrutura ferroviária, bem
como a aquisição de material circulante, e do sistema de sinalização,
com final inicialmente previsto para dezembro de 2025, passando
posteriormente, para junho de 2026.No
entanto, a linha que fará a ligação entre a Várzea de Loures e o
Hospital Beatriz Ângelo, ligando os concelhos de Loures e Odivelas,
passou a um prazo de conclusão de projeto para 2027, tendo o Conselho de
Ministros, em novembro de 2023, autorizado o metro de Lisboa a realizar
a despesa no valor de 527,2 milhões de euros.De
acordo com Cristina Pinto Dias este aumento de mais do dobro do valor
inicial deve-se ao facto de terem sido incluídos os custos com as obras
de reordenamento urbano de Loures e Odivelas, assim como os custos com
expropriações, que na fase inicial eram da responsabilidade dos
municípios e passaram a estar incluídas no projeto.Atualmente,
o projeto da linha Violeta encontra-se em fase de análise de propostas,
que foram remetidas pelos proponentes e abertas na segunda-feira, de
acordo com a governante.“Quando um
investimento é essencial como é a expansão do metro para este Governo, o
que pode estar em discussão é a fonte de financiamento e não nunca a
necessidade de execução da obra que tem a maior pertinência para o
desenvolvimento da Área Metropolitana de Lisboa”, reiterou.Em
julho, o ministro das Infraestruturas disse, no parlamento, que o metro
de Lisboa podia vir a falhar nos prazos para o Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR), mas que mesmo assim seria mantida a prioridade na
expansão da linha vermelha.Em audição na
comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação, Miguel Pinto Luz disse
que "o metro de Lisboa tem sido um desafio enorme" e que assumia "a
possibilidade de falhar no PRR", no recebimento de fundos europeus. Já
anteriormente, o governante tinha dito que a litigância pode levar a que
o metro de Lisboa falhe os prazos do PRR.