Obra do novo mercado municipal de Angra do Heroísmo arranca até junho por 12 milhões de euros
3 de abr. de 2025, 17:13
— Lusa/AO Online
“Este processo tem uma história
longa e complexa”, afirmou, em declarações aos jornalistas, o presidente
do município de Angra do Heroísmo (PS), Álamo Meneses.O
projeto de arquitetura foi apresentado numa sessão pública no
salão nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. O
consórcio que venceu o concurso de conceção-construção, composto pelas
empresas Marques, Tecnovia e Transjet, prevê que a obra se inicie até
junho, com um prazo de execução de 24 meses.Este
é o quarto projeto criado para o novo mercado municipal de Angra do
Heroísmo, que já teve previstas várias dimensões e localizações.Numa
fase inicial, a ideia passava por construir um mercado novo no local
onde estava instalado o Mercado Duque de Bragança, no centro histórico
da cidade.A necessidade de mais espaço de
estacionamento levou a uma segunda solução, que passava por construir o
mercado noutro local à saída da cidade, no Cerrado do Bailão.“Ao
fazermos isso estávamos a deslocalizar também o centro da cidade em
relação ao comércio tradicional. Depois de um processo complexo,
conseguimos encontrar uma solução que foi adquirir uma parcela extra do
terreno, que permitiu eliminar essas restrições de estacionamento”,
explicou Álamo Meneses.O novo mercado
voltou à localização inicial, mas o projeto motivou uma queixa à
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO) devido à volumetria prevista, já que o centro histórico da
cidade integra a lista de Património Mundial da organização.Segundo
o autarca, com o projeto agora apresentado, que prevê um parque de
estacionamento subterrâneo, os constrangimentos apontados no anterior
projeto não se verificam.“Estes problemas
foram ultrapassados com um investimento maior. O anterior projeto era
feito ao nível do solo e ficava muito alto. Este foi todo enterrado. A
cércea deste mercado é substancialmente inferior à cércea do projeto
anterior, em contrapartida com a escavação. O andar inferior de
estacionamento é todo ele abaixo do pavimento do atual mercado”,
justificou.Em 2020, a obra foi inscrita no
orçamento municipal com uma verba de 6,5 milhões de euros, que quase
duplicou em 2025 para 12 milhões de euros.“Temos
uma justa e razoável expectativa de conseguirmos algum grau de
cofinanciamento [europeu] para o investimento”, adiantou Álamo Meneses,
assegurando que os fundos estão devidamente acautelados nas finanças do
município.Instalado num terreno com cerca 3.200 metros quadrados, o novo mercado terá três pisos, incluindo um subterrâneo.Nos
dois pisos inferiores, haverá um parque de estacionamento pago, com
capacidade para 220 lugares, casas de banho públicas e um snack-bar.No
piso superior, haverá uma praça coberta, com um palco, onde poderão ser
realizados espetáculos, e espaços para 31 postos de venda, incluindo
três talhos, três peixarias, três padarias e cinco espaços para cafés ou
snack-bares, com uma esplanada virada para o centro da cidade.“Este
projeto vai ao encontro das tendências atuais dos mercados nas cidades,
que deixaram de ser apenas espaços para venda de produtos hortícolas e
de artesanato e passa também a ter espaços de lazer, de animação
cultural e de fruição pública”, explicou Fernando Monteiro, do gabinete M
Arquitetos.Segundo o arquiteto, o projeto procurou abrir mais o mercado à cidade e integrá-lo numa zona classificada.“Foi
desde logo uma premissa muito importante para nós, tentarmos ser
interventivos do ponto de vista da arquitetura, afirmativos, criar um
edifício que venha ao encontro da expectativa dos moradores, dos
utilizadores do espaço, mas por outro lado evitar que seja um elemento
dissonante com o património que Angra oferece”, salientou.