Obra Completa de Vitorino Nemésio abre com poesia e vai ser apresentado em Lisboa
22 de nov. de 2018, 10:47
— Lusa/AO Online
O primeiro dos quatro livros de poesia do autor, que morreu há 40 anos,
antecipa a revelação de inéditos e é apresentado esta quinta-feira, às 18h30 (menos uma nos Açores), na
Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, por Luiz Fagundes
Duarte, responsável pela edição da obra, doutorado em Línguas e
Literaturas Modernas e Linguística, pela Universidade Nova de Lisboa.Numa
nota editorial, Fagundes Duarte afirma que os três primeiros volumes de
poesia de Vitorino Nemésio incluem os poemas publicados em vida pelo
autor e, o quarto, “reúne a poesia inédita, à data da morte de Nemésio,
ou publicada postumamente”.O
volume que abre a série, a apresentar hoje, em Lisboa, é dedicada
integralmente a Nemésio reúne a poesia editada desde 1916 a 1940.Fagundes
Duarte afirma que o autor nascido na Praia da Vitória, na ilha açoriana
da Terceira, que se tornou conhecido pelo programa televisivo “Se bem
me lembro” (1970-1975), começou a escrever poesia aos 15 anos com “Canto
matinal” e terminou aos 76, com “Caderno de Caligraphia”, no qual
“trabalhava quando faleceu”.Vitorino
Nemésio, entre outras atividades e colaborações dispersas em várias
revistas literárias e jornais, foi professor na Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa e, como poeta, “por ele passam muitas das ideias
estéticas que enformaram a poesia portuguesa do século XX, no seio da
qual soube manter uma voz e uma postura muito próprias”.O
catedrático da Universidade Nova de Lisboa, refere que Nemésio soube
combinar, “de um modo seguro, mas subtil, a erudição do académico com a
genuinidade da inspiração de matriz popular açoriana”.“Nele
– prossegue Fagundes Duarte – encontramos desde ecos românticos (na
poesia de juventude), bebidos sobretudo em Antero [de Quental] até à
incursão, na maturidade, pelas linguagens e conceitos da filosofia e da
ciência", com realce para a biologia molecular, novas tecnologias e
viagens espaciais, nos últimos livros, "aos quais conferiu uma até então
imprevisível dimensão poética”.Este primeiro volume, agora editado, divide-se em duas partes, de 1916 a 1930, e de 1935 a 1940.Fagundes
Duarte explica que, na primeira parte, se encontram “as miudezas da
juventude, os que pareceram em edição autónoma, e aos quais o autor
conferiu o estatuto de ‘livro’ – um conjunto de poemas com uma
determinada unidade interna".Nesta
primeira parte estão coligidos os títulos “Canto matinal” (1916), “A
Fala das quatro flores” (1920), “Nave Etérea” (1922) e “Sonetos para
libertar um Estado de Espírito Inferior” (1930), e ainda poemas avulso
que publicou em jornais e revistas, apresentados sob ordem cronológica, e
também “Versos Qu’o Pai Que Foi p’ò Trabalho Fez à Sua Filha”, que
ficou inédito até 1979.Na
segunda parte deste volume, encontram-se “La Voyelle Promise” (1935),
“O Bicho Harmonioso” (1938) e “Eu, Comovido a Oeste” (1940), tendo ainda
sido incluído o texto de Nemésio “Prefácio: Da Poesia”, que, segundo
Fagundes Duarte, é “a melhor reflexão que alguma vez terá sido feita
sobre a poesia de Vitorino Nemésio”.Além
dos quatro volumes de poesia, o plano das "Obras Completas de Vitorino
Nemésio" prevê editar três volumes de Teatro e Ficção, um deles do seu
mais celebrado romance “Mau Tempo no Canal”, seis volumes com o seu
Diário e Crónicas, que inclui os textos de “Se bem me lembro” e quatro
volumes de Ensaio, entre os quais “Relações Francesas do Romantismo
Português”, originalmente editado em 1936, e a biografia de Isabel de
Aragão, mulher do rei D. Dinis.Vitorino
Nemésio nasceu a 19 de dezembro de 1901, em Praia da Vitória, Açores, e
morreu há 40 anos, em 20 de fevereiro de 1978, em Lisboa.