Objetivos climáticos não serão cumpridos se Amazónia não for protegida
1 de mar. de 2023, 08:20
— Lusa/AO Online
“A não ser que a
Amazónia seja protegida não podemos manter o objetivo da temperatura
[subir apenas] 1,5 graus”, uma das metas estabelecidas no Acordo de
Paris, afirmou John Kerry, ao lado da ministra do Ambiente do Brasil,
Marina Silva, numa conferência de imprensa em Brasília.Kerry
que se encontra em Brasília desde segunda-feira teve uma vasta agenda
que incluiu, além de encontros com o Presidente brasileiro, Lula da
Silva, e o vice-presidente, Geraldo Alckmin, ainda reuniões com outras
autoridades governamentais, representantes do parlamento e organizações
da sociedade civil que trabalham na Amazónia e em outros ecossistemas do
país.“Esta floresta é crucial para que o
mundo atinja as metas que nos propusemos a cumprir”, frisou o
responsável norte-americano, acrescentando que a biodiversidade desta
floresta é fundamental para o planeta.Segundo
Kerry, a visita visou dar "seguimento imediato" ao que foi discutido em
Washington pelos presidentes Joe Biden e Luiz Inácio Lula da Silva, que
estiveram juntos na Casa Branca no dia 10 com uma agenda de alto
conteúdo ambiental.O enviado especial dos
EUA para as alterações climáticas frisou ainda que o país irá investir
no fundo da Amazónia, criado com doações da Noruega e da Alemanha e
destinado a financiar ações contra a desflorestação no maior pulmão
verde do planeta.A eventual participação
dos EUA neste fundo, que tem um orçamento cerca de mil milhões de euros,
terá de ser aprovada pelo Congresso norte-americano.“Estamos
empenhados no Fundo Amazónia” mas também em outras áreas e projetos que
visam a proteção ambiental, garantiu John Kerry, anunciando ainda que
pretende “regressar no próximo mês à Amazónia”.“A
Marina [Silva] disse que ia comigo”, contou, dizendo ainda respeitar
muito a ministra do Ambiente, “uma das líderes há muito tempo nestes
temas, muito respeitada”.Na mesma ocasião,
Marina Silva revelou que os temas tratados ao longo destes dois dias
incidiram no clima, florestas, num novo modelo de desenvolvimento e no
combate à desigualdade e proteção dos povos originários.O
combate à mineração ilegal e o objetivo de “desmatamento zero” até 2030
no Brasil foram também um dos principais pontos em discussão entre as
duas delegações.Antes de rumar à embaixada
norte-americana em Brasília, John Kerry prometeu fazer de tudo para
cuidar deste “tesouro extraordinário que pertence a todos”.“Isto é urgente, não há outra opção”, sublinhou.Por
outro lado, ainda com John Kerry na sala, Marina Silva disse que o país
quer uma “ajuda soberana” sabendo da importância que a Amazónia tem
para o mundo, mas que esta pertence ao Brasil.“É fundamental que o mundo desenvolvido ajude a proteger as nossas florestas”, disse.