O Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas tem patente, até dia 1 de
novembro, a exposição ‘O Silêncio de Hefesto’, que conta com obras da
Coleção de Arte Contemporânea do Estado e curadoria de Vera Carmo,
decorrendo no âmbito de Ponta Delgada - Capital Portuguesa da Cultura.Nesta
mostra, que teve como ponto de partida a erupção vulcânica dos
Capelinhos, na ilha do Faial, em 1957, estão representando vários
artistas, nomeadamente Ana Vieira, Emily Wardill, Filipa César &
Louis Henderson, Helena Almeida, Inês Zenha, Joana Escoval, João Paulo
Feliciano, José Manuel Rodrigues, Lea Managil, Luisa Cunha, Manuela
Marques, Mariana Vilanova e Marcelo Reis, Nuno Nunes-Ferreira, Paulo
Brighenti, Pedro Tudela, Pedro Vaz, Sarah Affonso e Vanda Madureira.Ao
Açoriano Oriental, a curadora Vera Carmo, começa por explicar que este
núcleo de artistas “permitiu-me pensar os Açores e pensar a relação dos
artistas contemporâneos com os Açores. O que todos têm em comum é o
trabalhar muito a paisagem e as características deste lugar, o facto de
serem ilhas, ilhas vulcânicas”. Portanto, a exposição conta com obras
que “são representações mais ou menos abstratas da lava, da paisagem.
Por exemplo, a Joana Escoval usa mesmo duas pedras vulcânicas para fazer
uma instalação escultórica. O Pedro Tudela vai buscar objetos que
remetem um bocadinho para as vivências mais rurais”. Depois, a partir
“de um certo fascínio pelos sismos, pelos vulcões, pensei a exposição
com esta ideia do fenómeno natural. Dentro dos fenómenos naturais, há um
que me interessou particularmente, que foi a erupção dos Capelinhos,
muito porque, no que diz respeito às imagens, foi a primeira reportagem
no exterior da RTP. É a primeira imagem mediática de um desastre natural
em Portugal”, afirmou Vera Carmo. Acrescenta ainda que “pedimos alguns
excertos da RTP para estarem na exposição a conviver com as obras dos
artistas”. Esta reportagem tem uma particularidade, tem muitas partes
sem som, porque “em pleno Estado Novo, as notícias eram dadas com uma
voz off, era uma maneira de controlar as histórias e a opinião pública.
Vemos a erupção, as pessoas a abandonarem as casas, etc., mas não as
ouvimos e, o próprio jornalista que faz essa reportagem, o Vasco Hogan
Teves, anos mais tarde é questionado sobre o assunto e diz que naquela
altura ouvir o povo era impensável”. Daí surge o título da mostra, ‘O
Silêncio de Hefesto’. Silêncio pela censura e Hefesto porque era o Deus
dos vulcões, dos artesãos e da tecnologia, na mitologia grega, que foi
expulso do Olimpo. A exposição aborda também questões de toda a
história nacional. Assim, “temos uma seleção de filmes e obras já
posteriores e que falam da época da ditadura”. A mostra vai “caminhando
um bocadinho no tempo, porque a obra mais recente que temos é de 2023”.CACE traz primeira exposição aos Açores‘O
Silêncio de Hefesto’ traz pela primeira vez aos Açores a Coleção de
Arte Contemporânea do Estado. Para Sandra Vieira Jürgens, diretora e
curadora da CACE, um dos objetivos da Coleção é fazer a circulação em
todo o território, “uma vez que a coleção pertence a todos e é com
grande entusiasmo que nos aliamos à PDL26 para trazer pela primeira vez a
coleção a uma região autónoma”, afirmou para explicar que “normalmente
escolhemos cinco pontos anuais para mostrar a coleção e aqui (Açores) é
bastante interessante porque nos permite trabalhar a partir do ponto de
território onde nos vamos apresentar e a partir da própria história”.Sandra
Vieira Jürgens destaca ainda o trabalho desenvolvido nesta mostra
porque funciona “quase como uma residência artística e é um pouco esta
experiência que também levamos”. Ou seja, “não é só trazermos as obras e
mostrá-las ao público, é também o trabalho que fazemos com as
diferentes equipas, trocar experiências, ter ideias para futuros
projetos e isso permite-nos também caminharmos juntos”.