O “Paim, Porta do Lado – Bairro Digital”, grupo de cidadãos criado
durante o confinamento para recuperar laços de vizinhança e criar um
sentido de comunidade transformou a Praça da Autonomia Constitucional
num anfiteatro, com plateia – o amplo espaço da praça – e muitas dezenas
de camarotes – as varandas dos apartamentos que a rodeiam – para o
concerto de Marina e Pedro Silva, dois experientes músicos micaelenses.A
temperatura agradável, a vontade de voltar a ver um concerto e as
saudades de estar em convívio levou perto de uma centena de pessoas à
“plateia”, e talvez outros tantos aos “camarotes”. Na praça, crianças às
corridas, cães a passear, mantas estendidas no chão. Nas varandas,
luzes e velas a dar um colorido especial, copos ao alto para brindar às
coisas boas da vida e até coreografias ao ritmo da música.Entre
grandes clássicos internacionais – “Imagine”, “Stand By Me” ou “I Want
to Break Free” – nacionais – “Paixão”, “Cinderela” ou “Desfado” – e
regionais – “Chamateia, “Ilhas de Bruma” ou “Olhos Negros” – houve
muitas oportunidades para o público acompanhar a voz de Marina, mas foi o
vizinho Cláudio, algures no terceiro andar, que deixou toda a gente de
boca aberta, não só quando cantou a “Chamateia” da sua varanda, em
plenos pulmões, mas também quando – no fim do concerto – teve direito a
“descer” ao palco para mais duas canções.A iniciativa “Paim – Porta
do Lado” já começou a cumprir a sua missão: todos os vizinhos sabem que o
Cláudio é um excelente cantor.