O óleo emprestado que “salvou” os irmãos Rodrigues
Histórias do Rallye
11 de mar. de 2019, 10:26
— Rui Jorge Cabral
O Mitsubishi é conhecido por ser um ‘tanque’, mas também prega algumas
partidas... Ruben Rodrigues que o diga quando no SATA Rallye Açores de
2015 se preparava, a um troço do fim, para terminar num bom 12º lugar,
terceiro do Grupo N e à frente do sempre rápido e espetacular David
Botka, o piloto húngaro que, também num Mitsubishi Lancer EVO IX, viria
nesse ano a ser campeão europeu na categoria ERC2.No entanto,
durante o último troço, a sempre imprevisível passagem pelos 21,3 km da
Tronqueira, o rali quase foi por ‘água - ou melhor, óleo - abaixo’...
Ruben Rodrigues explica: “estávamos a descer a Mata dos Bispos, já a
caminhar para o fim do troço e reparei que o carro estava a perder
força, estávamos sem turbo e apercebo-me de muito fumo a sair pelo
escape... Ainda cheguei a pensar que ficávamos ali, mas conseguimos
terminar o troço. Abri o capot e depois de verificar o nível, reparei
que estávamos sem óleo porque, ao partir o turbo, o óleo tinha saído
todo pelo escape”.Dentro do carro, a dupla Ruben e Estêvão Rodrigues
levava um litro e meio de óleo para alguma eventualidade, mas eram
precisos quatro a cinco litros e a ajuda de um qualquer espectador dava
logo direito a desclassificação... “O óleo que tínhamos não era
suficiente e fomos mandando parar os concorrentes que iam saindo do
troço atrás de nós a pedir óleo. Vários pilotos pararam e foram-nos
dispensando algum óleo”, recorda o navegador Estêvão Rodrigues. “Já nem
queríamos saber se era o óleo indicado ou não”, acrescenta Ruben
Rodrigues, salientando que o maior ‘benemérito’ foi o piloto continental
Manuel Castro que curiosamente na altura também guiava um Mitsubishi
Lancer EVO IX e, portanto, vinha na mesma luta do Grupo N, embora
bastante mais atrasado. Podia ganhar mais um lugar ao deixar a dupla
açoriana parada na ligação, mas preferiu ajudar com dois litros de óleo,
um sinal do desportivismo que ainda existe nos ralis.Com óleo
emprestado, Ruben e Estêvão Rodrigues conseguiram fazer a longa ligação
entre o Nordeste e Ponta Delgada - a ‘deslizar’ em grande parte do
caminho - e terminar o rali, mesmo com uma penalização no controlo
final, ainda assim na 13ª posição, perdendo duas posições na estrada,
mas ‘ganhando’ uma graças à desistência de Luís Miguel Rego, nesse rali
acompanhado por Sancho Eiró, que ficou parado à saída da Tronqueira, com
um disco de travão partido no seu Mitsubishi Lancer EVO IX e -
imagine-se - sem óleo nos travões!!!