28 de jan. de 2022, 16:59
— Célia Machado/AO Online
Tudo começou em 2014, quando Ruben
Neves se lembrou que há uns 15 anos não pedalava mas que gostaria
de fazê-lo novamente. E ainda chegou a dizer que, quando tivesse uma
bicicleta, ia estreá-la numa volta à ilha.
Ora a esposa fez-lhe a vontade e
ofereceu-lhe uma pelo Natal, o que levou Ruben a cumprir o que havia
dito. Alguns amigos resolveram acompanhá-lo e assim surgiu, em
janeiro de 2015, a I Volta à Ilha do Pico Ruben Neves, naquele ano
com a companhia de Filipe Cordeiro, José Silva, Fernando Maiato,
Hugo Santos e Sérgio Cordeiro.
"Demorámos umas oito horas porque
não estávamos habituados", recorda Ruben Neves, que acrescenta
que, entretanto, "estamos a melhorar e já conseguimos tempos
mais reduzidos, entre as cinco e meia e as seis horas e meia, o que
não é nada mau, pois é costume convidarmos alguém que não tem o
hábito de andar de bicicleta". Este ano o Rodrigo, de apenas 15
anos, fez a volta com o resto do pessoal, uma parte já nos "entas".
A volta mais não é do que um passeio
de amizade, sem competição, tal com fica vincado pelo lema. "A
lógica do grupo é não deixar ninguém atrás. Se um está em
dificuldade, voltamos atrás para ajudá-lo. No primeiro ano fui eu
que tive de ir a 'reboque' por um bocado", sublinha Ruben, a
rir.
O formato da volta é sempre o mesmo: o
ponto de encontro é na Pastelaria Linú, na Madalena, pelas 7h30,
para o pequeno-almoço; o percurso é feito começando pelo lado sul
da ilha, com paragens nas Lajes, Piedade e Prainha, para lanchar; o
passeio acontece no segundo ou terceiro fim de semana de janeiro, em
bicicleta todo-o-terreno.
As companheiras dão apoio e são
sempre bem-vindas à petiscada que sucede a volta à ilha, mas, com a
Covid-19, a jantarada de confraternização está em modo pausa.
Quanto a pedalarem, foi apenas há dois anos que as primeiras se
juntaram ao grupo e este ano estiveram ausentes.
O gosto pelos passeios de bicicleta em
grupo leva estes amigos a juntarem-se também ao longo do ano, várias
vezes durante a semana.
O alerta é dado pelo "Facebook
"ou "WhatsApp", normalmente às terças, quintas e
domingos, sendo este último dia aquele em que, por haver maior
disponibilidade, é o preferido para percursos mais longos. No verão
cada um tem atividades que gosta de realizar mas tentam manter a
rotina de pedalar, refere ainda Ruben Neves.
Tantas vezes ouvimos que "quem
corre por gosto não cansa"; neste caso, cansam-se e muito,
sobretudo nas subidas com inclinação acentuada, mas a camaradagem
supera esses declives porque amizade e espírito de sacrifício
pedalam, lado a lado, na vida.