Licenciado
em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, nasceu
em 01 de setembro de 1937, em Lisboa, "de cesariana, na Casa de Saúde
das Amoreiras", teve uma "infância fechada, mas desafiante, dourada, mas
exigente", relata o fundador do Expresso e da SIC, no seu livro
"Memórias", onde diz esperar ter contribuído para deixar o mundo "um
pouco melhor"."Do que fiz na vida,
colocaria como fio condutor e como objetivo cimeiro, exercido e
conseguido de diversas maneiras, consoante as épocas e as
responsabilidades, a luta pela liberdade de expressão em geral e, em
especial, pelo direito a informar e a ser informado", afirma Francisco
Pinto Balsemão na página 'online' de apresentação da Impresa, dona do
Expresso e da SIC, entre outros.Jornalista,
empresário e político português, Francisco Pinto Balsemão foi um dos
fundadores do Partido Social Democrata (PSD), primeiro-ministro entre
janeiro de 1981 e junho de 1983 e presidente do partido entre 1980 e
1983."Estávamos em 1963, eu tinha 25 anos,
e surgiu, de certo modo preparada pelo meu pai e, sobretudo, talvez,
pelo tio Xico, a oportunidade de ir ocupar um lugar no Diário Popular",
que não existia, que era o de secretário de direção, relata Balsemão.Estava
dado o primeiro passo no caminho dos media: "O Diário Popular foi, para
mim, uma grande escola, uma excelente pós-graduação, como agora se
diz", prossegue, no seu livro, o empresário. "Ao
serviço do Diário Popular escrevi notícias ou entrevistas, desloquei-me
com frequência em reportagem ao estrangeiro, ganhei fontes e contactos,
participei em conferências, consegui trazer a Portugal personalidades
de relevo mundial, como foi o caso, em 1968, do cirurgião Christian
Barnard, que realizara, meses antes, o primeiro transplante de coração",
exemplifica.Em entrevista ao Expresso,
publicada em 06 de janeiro de 2023, Francisco Pinto Balsemão conta como
se rendeu à comunicação social: "Envolvi-me e apaixonei-me pelo
jornalismo através talvez de uma vocação profissional que desenvolvi
desde os tempos, já muito remotos, em que trabalhei na redação do Diário
Popular".A criação "do Expresso e de
outros títulos, a criação da SIC e da SIC Notícias, dos canais do cabo,
dos 'sites', mais recentemente da Opto, correspondem a essa vocação
profissional. Como há quem escolha a medicina, como há quem escolha a
arquitetura ou a engenharia, eu escolhi o jornalismo", diz, na
entrevista.E acrescenta: "Ainda hoje,
aliás, me considero jornalista", referindo o seu "orgulho" em ter a
Carteira Profissional com o "número 18".Recuando
no tempo, Balsemão conta, na sua autobiografia, que com a morte
política de Salazar - em 1968 - sentiu a "necessidade, ou talvez a
obrigação, de uma maior intervenção política".Em
1969 houve eleições "e integrei a chamada Ala Liberal do Parlamento,
sem abandonar as minhas funções no Diário Popular", prossegue, sendo
que, no ano seguinte, uma das suas iniciativas foi a apresentação, "com
Francisco Sá Carneiro, de um projeto de Lei de Imprensa", que foi
rejeitado.Este projeto "provocou a
indignação de Brás Medeiros e, por influência deste, do meu tio Xico.
Ideias constantes desse projeto, como a criação de Conselhos de Redação
com alguns poderes, assustaram muita gente na altura", relata.Sobre
a Ala Liberal, conta que "ao contrário do que se pensa, nunca foi um
grupo político organizado", mas antes "surge como expressão do desalento
de um número reduzido de deputados da X Legislatura da Assembleia
Nacional (1969/1973)".Nos três anos que se
seguiram "e aproveitando a visibilidade que fui ganhando como deputado,
nunca descurei a luta pela liberdade de expressão, embora, como era
minha obrigação, o meu campo de atuação política tenha sido mais vasto",
diz.Entretanto, a partir de 1972 começou a "magicar no Expresso" e, em janeiro do ano seguinte, o jornal nasce. Um
jornal "onde investi parte do dinheiro que arrecadara com a venda da
minha quota na sociedade proprietária do Diário Popular".Em 1973, os principais grupos de media estavam nas mãos de proprietários afetos ao Governo.Na
origem do semanário "estava a minha vontade de provar a mim próprio, à
família e ao mundo que era capaz de lançar e triunfar um projeto
inovador na área da imprensa". Na altura tinha 34 anos.Entretanto,
passa pelo Governo durante três anos e meio (um como ministro adjunto
de Sá Carneiro e dois anos e meio como primeiro-ministro) e regressa à
Duque de Palmela (onde ficava o Expresso na altura) em junho de 1983,
depois "de uma breve pausa para descansar e lamber as feridas causadas
pela política e, sobretudo", pelo seu partido.Em
1988, o Governo reprivatiza os media que tinham sido nacionalizados, e é
aberto um concurso público para a venda de A Capital e a proposta da
Sojornal vence."A Capital foi um bom
negócio desde que a adquirimos, em 1988, até 1999", quando em novembro
desse ano, o diretor do título António Matos propôs à Sojornal um
"acordo de cavalheiros" e transferiu-se a propriedade, sem custos, para o
diretor e trabalhadores que aderiram à iniciativa, diz.Outro
investimento nos media foi o Jornal da Região, "outra experiência que,
como no caso de A Capital, funcionou bem durante algum tempo, mas não
resultou em pleno" e teve de ser vendido.A vida profissional de Balsemão "foi-se concentrando, a partir de 1990, no projeto SIC e isso prolongou-se até hoje".Em
06 de outubro de 1992 nasceu a SIC, com o advento dos canais privados,
um projeto que era para um canal generalista, mas que hoje conta com
cinco canais temáticos - SIC Notícias, SIC Radical, SIC, Mulher, SIC
Kids e SIC Caras -, mais a SIC Internacional, e o 'streaming' Opto,
lançado em novembro de 2020.Sobre o
'clube' Bilderberg, conta que em "todo o seu historial" neste grupo "a
coroa de glória terá sido a organização e concretização do plenário em
Portugal, em 1999", que contou com o apoio dos chefes de Estado e do
Governo de então.Amante de música, tocava
piano e bateria, mas a atividade musical onde atingiu os seus "poucos
ambiciosos louros foi como pianista", relata, referindo que foi a sua
mãe que "criou as condições" para que gostasse de ouvir e tocar música.Teve
"o privilégio de viver durante mais de oito décadas de intensa
transformação", refere, apontando recordar-se "do fim da II Grande
Guerra e do fim da Guerra Fria". "Vi
Armstrong pisar a lua e a sonda Curiosity deslizar em Marte. Fui
amplamente contemplado pela revolução digital. Beneficiei do 25 de Abril
e contribui, na política, no jornalismo, no associativismo e, mais
tarde, no ensino para que Portugal fosse uma democracia de padrão
ocidental", recorda."Lutei pela nossa
adesão à CEE e pela nossa entrada na moeda única e continuo a lutar por
uma União Europeia em que acredito" e "desfruto de um ambiente familiar
muito positivo: uma mulher, cinco filhos e 14 netos que me acompanham e
procuro acompanhar".Agora, "resta saber se
(...) consegui contribuir para deixar o mundo, pelo menos o mundo que
me rodeia, um pouco melhor", afirma, rematando: "Hoje e sempre, a única
obrigação moral que poderá ser exigida ao Homem, para que seja 'mais do
que matéria físico-química', é que procure deixar o mundo onde nasceu,
seja esta a Terra ou algo mais vasto, melhor do que o encontrou".