“O Feiticeiro de Oz por terras de São Miguel” na Ribeira Grande
Hoje 10:57
— Susete Rodrigues
O Teatro Ribeiragrandense é palco, amanhã, (21 março) pelas 20h00, do espetáculo “O
Feiticeiro de Oz por terras de São Miguel”, no âmbito do projeto
‘Teatro para Todos’, levado a cabo pelo CACI - Centro de Atividades para
a Capacitação e Inclusão, da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira
Grande.Esta é a 8ª edição do ‘Teatro para Todos’, e “à luz da
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, permite às
mesmas terem a oportunidade de desenvolver e utilizar o seu potencial
criativo, artístico e intelectual, não só para benefício próprio, como
também para o enriquecimento da sociedade”, afirmou em declarações ao
Açoriano Oriental, Sónia Rangel Melo, coordenadora da valência CACI.Este espetáculo tem como objetivo levar à comunidade o trabalho que é feito no CACI.Trabalhar
com os utentes, na vertente das artes é, para Sónia Rangel Melo,
“maravilhoso e surpreendente. E é essa a mensagem que também queremos
transmitir, porque, muitas vezes, existem ideias erradas relativamente
às competências destas pessoas”.Dos cerca dos 40 utentes do CACI, 38
irão subir ao palco para levar a cabo “O Feiticeiro de Oz por terras de
São Miguel”, numa adaptação do filme de 1939 “O feiticeiro de Oz” de L.
Frank Baum e Noel Langley. A coordenadora explica que “temos
utentes que nos surpreendem pela positiva, porque conseguem decorar um
texto, do princípio ao fim. Claro que são muitos ensaios, muito
trabalho, mas nós chegamos ao fim e dizemos assim: ‘isto realmente é
maravilhoso’”.Por seu turno, os utentes do CACI gostam muito de
participar nestas atividades e “têm aquele sentido de responsabilidade
que é bastante interessante”, enaltece, para acrescentar que “apelamos
sempre à colaboração de todos. Se querem participar ou não, perguntamos o
que é que gostavam de fazer e vamos experimentando, porque também são
feitos vários testes, consoante as personagens”. Depois, “fazemos com
que cada um esteja à vontade no seu papel, porque isto é a base do nosso
trabalho, que é o respeito pela pessoa com deficiência como pessoa”,
sublinha.Este espetáculo mostra talento, competências e
individualidades, dos utentes do CACI e conta com muita música e dança,
porque “faz parte do nosso dia a dia. A música é ótima para podermos
trabalhar com muitos dos nossos utentes, adaptando, obviamente, a cada
um”. A pouco tempo de subirem ao palco, é normal os utentes sentirem
‘um nervoso miudinho’, porque querem que tudo corra na perfeição. Sónia
Rangel Melo adianta que “temos as nossas estratégias para o caso de
alguém se sentir mais nervoso, mais ansioso. Tentamos controlar, fazendo
determinadas atividades que eles adoram e que nós adoramos também, como
rir um bocadinho, dançar, ouvir música, e é uma forma de superar o
nervosismo”.A finalizar a coordenadora afirma que “uma das coisas
que queremos muito com este espetáculo, é levá-lo a uma sala de
espetáculos maior, para que mais pessoas possam usufruir da nossa
alegria, que é contagiante. Há uma mensagem que gostava de transmitir,
que é: ser diferente é normal”.