O falso caso de bullying da escola da Lagoa

Hoje 09:27 — Nuno Martins Neves

O internamento no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, de uma criança de 7 anos, aluno da Escola do 1.º Ciclo e Jardim de Infância Tavares Canário, não se deveu a uma situação de bullying, confirmou ao jornal Açoriano Oriental o presidente do Conselho Executivo da Escola Básica Integrada da Lagoa, Manuel Rodrigues, informação também sustentada pelos pais da criança.O caso veio para a praça pública na segunda-feira a partir de publicações de um médico e do partido Chega Açores na rede social Facebook, e rapidamente criou uma onda de indignação. No entanto, o único facto real foi a hospitalização de um menino de 7 anos, devido a uma infeção de origem bacteriana, situada entre o músculo e o osso dos membros direitos, informação transmitida pelos pais do aluno ao conselho executivo do estabelecimento de ensino também conhecido como Escola da Relvinha, como se lê no comunicado publicado na quarta-feira pela Escola Básica Integrada da Lagoa.Em causa uma brincadeira mais brusca entre três crianças de 7 anos da mesma turma, “que se conhecem desde o Jardim de Infância”, refere Manuel Rodrigues. “Fomos informados da situação de imediato, pela professora, e desde a primeira hora que procuramos apurar o que se passou”, afirma.No comunicado de imprensa, a escola acrescenta que “a situação em apreço não foi considerada um caso de Bullying, tendo sido enquadrada como uma ocorrência pontual entre alunos, sem prejuízo da necessária análise das circunstâncias concretas em que ocorreu e da adoção das medidas de acompanhamento consideradas adequadas”.O presidente do Conselho Executivo lamentou, contudo, o aproveitamento político feito do caso, bem como a divulgação de fotografias da criança - com a cara tapada com um emoji - por parte do clínico, afirmando que não se teve em conta o superior interesse das crianças.As fotografias em questão acabariam por ser retiradas da rede social Facebook, a pedido dos encarregados de educação do aluno internado, explicou ao Açoriano Oriental o médico em questão.Questionado pelo jornal, fonte do partido Chega explica que a publicação - feita pelo seu presidente e líder do grupo parlamentar, José Pacheco - foi feita “após termos visto a publicação do médico”, mas não foi “em concreto sobre aquele caso. Foi relativamente ao bullying em geral, como forma de alertar para o assunto”.O jornal contactou com a Comissão de Proteção de Jovens e Crianças da Lagoa sobre este caso, tendo sido afirmado que “não receberam qualquer informação sobre o caso”.