“O circuito aéreo pelas nove ilhas deveria ser vendido durante o verão”
8 de jun. de 2020, 09:09
— Susete Rodrigues/AO Online
Como está a decorrer o regresso à ‘nova normalidade’ no concelho da Madalena?Esta
nova normalidade é uma nova anormalidade porque não é tão simples
quanto possamos pensar. Embora as pessoas estejam a vir para a rua, é
muito lentamente. O movimento que estávamos habituados a ter no nosso
concelho era completamente diferente, só pelo facto do barco andar todo o
dia do Pico para o Faial, isso implicava um movimento muito grande.Nesta fase de desconfinamento, qual é a sua maior preocupação? A
minha maior preocupação é no comércio, na restauração e na hotelaria. É
onde sinto que há algumas situações complicadas. Passamos as festas do
Espírito Santo e entrámos, no passado domingo, na Trindade, e nada foi
igual. Vinham muitas pessoas do Faial para o Pico nestas festas do
Espírito Santo, o que dava um maior movimento de pessoas no concelho.
Este ano isso não aconteceu. No comércio do pronto-a-vestir, por
exemplo, os empresários não conseguiram realizar a época dos saldos e
agora tiveram que adquirir uma nova coleção. Ou seja, toda aquela
indumentária de batizados, comunhões, crismas, para as festas do
Espírito Santo, as pessoas deixaram de comprar. Portanto, há aqui uma
preocupação, mas esperamos que isto vá retomando, pouco a pouco. Espero
que o verão possa vir a animar um pouco o concelho, embora com alguma
apreensão. No que diz respeito à restauração e hotelaria, como foi a aceitação às novas normas? Todos
os empresários da restauração e hotelaria adaptaram-se às novas regras.
Todos fizeram remodelações e estão a corresponder a todas as exigências
que foram impostas. Estão a cumprir, mas também estão todos a aguardar a
vinda de clientes porque o problema é que não têm tido clientes e os
que são, são muito poucos. Há no concelho um nicho de negócio da
restauração que vive dos turistas que chegam no verão e, sem turismo,
não há um maior número de clientes. Do ponto de vista económico e para
que esses setores melhorem, tem de vir mais gente. Não há dois mundos
perfeitos, um em que estamos todos confinados, não deixamos ninguém
entrar e não nos acontece nada, e um mundo em que queremos que a
economia funcione normalmente, isso não é possível. Temos que abrir a
nossa economia.Por outro lado, o setor da construção civil não parou no concelho... Do
ponto de vista da construção civil, não temos notado que tenha havido
um retrocesso, pelo contrário. Em todas as reuniões camarárias temos
aprovado projetos de construção. Quer isso dizer que o setor da
construção civil continua a funcionar bem, potencia os empreiteiros e
todo o restante comércio ligado a esse setor e isso tem sido um elemento
importante nesta fase em que vivemos.O cancelamento da operação sazonal da Atlânticoline veio prejudicar ainda mais a economia do concelho da Madalena?Nós
vivemos muito desta circulação. Todas as pessoas que costumam vir das
outras ilhas na altura do verão são sempre uma mais-valia para a nossa
restauração e para o nosso comércio. É extensível a toda a Região o
facto de não decorrerem este ano as festas concelhias e isso implica que
seja menos um contributo para a economia. Por isso, com o cancelamento
da operação de verão da Atlânticoline, reitero que o transporte aéreo
interilhas deveria ter um custo diferente, por forma a dinamizar a
economia da Região. Na minha opinião, o circuito aéreo pelas nove ilhas
dos Açores deveria ser vendido durante o verão e aí poderíamos potenciar
muito a nossa economia interna.Como analisa o regresso da operação da SATA Air Açores?Felizmente
tem chegado pessoas ao Pico. Primeiro chegaram pessoas que estavam
retidas em outras ilhas (São Miguel e Terceira), depois também já
começaram a chegar outras pessoas com ligações à ilha. Porém, ainda
estamos num período inicial, há ainda questões por esclarecer em relação
à circulação interilhas, as pessoas têm algumas dúvidas em relação aos
testes, mas vamos esperar por meados de junho para que possamos receber
mais pessoas.Concorda com a forma como está a ser realizado o controlo nos aeroportos de Ponta Delgada e Terceira?Penso
que os testes têm que ter resultados céleres. Concordo que sejam feitos
por uma questão de segurança de todos. Quanto mais testarmos, mais nos
iremos sentir tranquilizados e vamos ganhando confiança. Se cada um for
fazendo a sua proteção, estamos a ajudar uns aos outros nessa retoma
económica que queremos que seja positiva.As verbas destinadas aos
eventos organizados pela autarquia da Madalena que foram cancelados, vão
ser canalizadas para o apoio social? As verbas estão alocadas a uma
série de apoios sociais. Houve muitas situações que surgiram desta
pandemia e que não estávamos a contar e, por isso, vamos usar os fundos
para apoiar todas as instituições do concelho. Para além disso, temos a
situação do furacão Lorenzo em que temos que intervir nas zonas
balneares. Temos um contrato ARAAL com o Governo dos Açores - que irá
ser assinado em breve - para avançarmos o mais rápido possível com estas
obras que são muito importantes para o concelho. Temos também alguns
projetos aprovados no âmbito do PO2020 (Programa Operacional). Devo
dizer que as verbas são sempre poucas para tudo aquilo que queremos
fazer, mas friso que ninguém que tenha algumas necessidades vai ficar de
fora. Estamos sempre disponíveis para apoiar e colaborar com as nossas
instituições, comerciantes e continuamos a trabalhar para dar uma melhor
vida à população da Madalena.