O campo veio à cidade para travar acordo UE-Mercosul em Bruxelas
1 de fev. de 2024, 18:26
— Lusa
Acusações de inércia da
União Europeia face a um caderno de encargos extenso ouviam-se nas vozes
de contestação dos manifestantes na Praça do Luxemburgo, na capital
belga, mesmo em frente ao edifício do Parlamento Europeu.Ao
início da tarde, o protesto podia confundir-se com um comício
partidário, com as palavras de ordem entoadas pelos agricultores
abafadas pelo som ininterrupto dos petardos e de um "canhão", e pela
música. Em cartazes e faixas espalhadas
pela praça lia-se "STOP UE - MERCOSUR" e contra um acordo que para os
agricultores "é nocivo" para os "agricultores e agricultoras, o ambiente
e os direitos sociais e humanos".O
monumento a John Cockerill, pioneiro da siderurgia do século XIX, que
está no centro da Praça do Luxemburgo, foi coberto com cartazes e as
estatuetas converteram-se em espantalhos.Um
grupo de agricultores distribuía sopa pelos manifestantes, para
aguentarem melhor as próximas horas do protesto, que poderão ser longas,
já que ninguém está a pensar arredar pé. Os instantes de tensão durante a manhã converteram-se numa aparente calma ao início da tarde.Mas
os agricultores continuam a colocar lenha nas fogueiras que ardiam na
Praça do Luxemburgo desde o início do protesto, alimentadas com madeira
e, sobretudo, pneus, produzindo nuvens de fumo negro a preencher parte
do céu.Entre cascas de ovos arremessadas
pelos manifestantes, a polícia viu-se obrigada a reforçar o cordão que
impede o avanço dos tratores, que se dirigiam para os edifícios da
Comissão Europeia e do Conselho, mas o mais longe que chegaram foi à
Rue Belliard, a duas ruas dos edifícios da Comissão.Centenas
de tratores bloquearam todos os acessos em redor das instituições
europeias. E o que não está bloqueado pelos tratores, está cercado pela
polícia de intervenção, preparada para eventuais confrontos.Pelas
16:00 locais (15:00 em Lisboa) regressaram os buzinões e os
manifestantes começaram a arremessar mais petardos, para não deixar
crescer a ideia de que o protesto se tinha silenciado.