“O Azores Rallye é um dos melhores ralis do mundo em terra”
3 de fev. de 2025, 10:35
— Arthur Melo
Quais os motivos e as razões que levaram o Luís Pimentel a avançar para a presidência do Grupo Desportivo Comercial (GDC)?Este
ano celebro 40 anos de automobilismo e devido ao facto de o António
Andrade não poder continuar no clube devido a motivos de saúde, decidi
avançar para continuar com o projeto. Algumas pessoas entenderam não
continuar, foram substituídas, e temos uma direção coesa e com enorme
vontade de levar em frente o GDC. Com a minha experiência, com os
contactos que possuo no mundo do automobilismo e com tudo aquilo que
sei, vou dar o meu melhor para tentar recuperar parte daquilo que o
clube perdeu.A minha prioridade, além de querer equilibrar a parte
financeira do clube, é voltar a ter a nossa principal prova no
Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) e deixar preparado, ou conseguir,
que voltemos também a integrar o Campeonato da Europa de Ralis (ERC na
sigla inglesa). Depois disso quero voltar a fazer ralis, mas a minha
prioridade é ajudar o GDC e tenho a certeza que vamos conseguir colocar o
clube no bom caminho. Desde 27 de maio de 2023 que a maior ilha
do arquipélago não tem um rali na estrada. Em 2024, devido às
condicionantes causadas pelo incêndio no Hospital do Divino Espírito
Santo, não houve ralis em São Miguel. Este ano vamos ter provas do GDC
na estrada?Sim. Para já, é muito importante já termos confirmado
o Rallye Além Mar no Campeonato dos Açores de Ralis (CAR), para além do
Azores Rallye que já fazia parte do campeonato. O primeiro rali será
nos dias 13 e 14 de junho, com o apoio da Fábrica de Tabaco Estrela.
Para este rali vamos ter ainda um apoio de uma câmara municipal. Temos
todas as condições para poder garantir que o Rallye Além Mar vai estar
na estrada, vai correr bem e vai ser um sucesso.E que garantias financeiras tem o GDC para a realização do Azores Rallye em novembro?O
Azores Rallye é, como todos sabem, prova candidata ao CPR de 2026 e
para além dos habituais patrocinadores, temos que ter sempre – que é
importantíssimo – o apoio do Governo Regional dos Açores (GRA). Esta é
uma prova que é reconhecida a nível internacional, representa uma enorme
promoção no exterior do nome dos Açores e todo o trabalho feito nos
últimos anos tem de manter-se para recuperarmos aquilo que se perdeu, ou
seja, o regresso ao CPR e, no futuro, voltar novamente ao ERC.Sobre
o Azores Rallye, e a sua importância para a promoção dos Açores, mas
também para a sua economia, vamos dentro de dias demonstrar o impacto
económico-financeiro que a prova teve, nos últimos anos, na economia dos
Açores, mas também a visibilidade que o Azores Rallye deu da Região ao
mundo. O Azores Rallye não é um rali de São Miguel. É uma prova que leva
o nome dos Açores ao mundo e seria importante que todos se envolvessem.Nos
últimos dias o promotor do ERC tem, aliás, difundido várias imagens nos
seus canais de comunicação do Azores Rallye, principalmente passagens
dos concorrentes nas cumeeiras das Sete Cidades.É verdade! E dos
contactos que mantenho com pilotos estrangeiros, todos eles me dizem
que rapidamente temos de voltar ao ERC porque o Azores Rallye é um dos
melhores ralis do mundo em terra e o ERC sem a nossa prova perdeu uma
das provas mais espetaculares, não apenas pelas imagens que proporciona,
mas também pela sua boa organização, pelos troços fantásticos que
possui e pelo entusiasmo do público.Com a reorganização que o ERC está a
ser alvo vamos procurar trazer aos Açores os seus responsáveis para uma
reunião – e queremos fazê-la em conjunto com a presença do GRA – para
que possamos recolocar o Azores Rallye no patamar máximo dos ralis na
Europa.E o Azores Rallye vai manter-se no Tour European Rally (TER)?Vamos
continuar no TER, que é um campeonato FIA e que traz muitos
estrangeiros ao rali. A promoção no exterior, através dos canais do TER,
também são importantes para a promoção do nome dos Açores. O calendário
do TER 2025 já começou a ser divulgado e o promotor deverá nos próximos
dias anunciar a nossa prova e tudo indica que será realizada nos Açores
a gala de encerramento do TER, com a presença de todos os pilotos que
participam nesta competição. A acontecer, será muito importante para os
Açores a realização desta festa internacional do automobilismo.Recolocar
o Azores Rallye no CPR em 2026 é o grande objetivo desta direção –
aliás, já tinha sido o propósito do anterior elenco presidido por
António Andrade. Mas é preciso que haja rali e depois aquela ideia que
ficou nos últimos anos que os pilotos do continente não querem vir aos
Açores, isso é mesmo verdade?Nunca senti isso. Sempre senti da
Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), como dos pilotos
nacionais e até mesmo estrangeiros, uma enorme vontade de correr nos
Açores e que o rali continuasse no CPR! As razões porque o rali saiu do
CPR foram questões técnicas! Já tivemos acesso aos documentos e houve
coisas que não correram bem. Não quero com isso dizer que a anterior
direção não fez coisas boas, nada disso; mas, de facto, houve coisas que
não correram bem e essas situações, em termos de pontuação da prova,
deixaram o Azores Rallye fragilizado e sem hipótese de poder estar no
CPR.Tenho a garantia que se o rali correr bem, em 2026 regressamos
ao CPR. Há vários candidatos, é normal, o processo é difícil, mas temos
um rali que é especial, um rali em terra que não existe em Portugal mais
nenhum igual e, como já disse, no mundo há poucos com a qualidade do
nosso e, por isso, temos todas as condições para em 2026 estarmos
novamente no CPR. Decorrendo a prova sem problemas e com a confiança que
deposito na equipa técnica, penso que vamos conseguir ter um grande
rali, com qualidade, bem organizado e cumprir com mais este objetivo.Prometi
aos sócios que íamos colocar o Rallye Além Mar no CAR e esta promessa
já está cumprida; a próxima é que se o Azores Rallye correr sem
problemas, estaremos no CPR. Mas todos têm de perceber, neste momento, e
desde patrocinadores ao GRA, a importância de termos esta prova bem
organizada e com qualidade para em 2026 voltarmos a estar no CPR e ser,
logo de seguida, uma prova candidata ao ERC. Repito: este ano gostaria
de trazer aos Açores dirigentes da FIA e do ERC para que possam assistir
à prova, de forma a que o Azores Rallye já possa ser alvo de uma
observação para uma futura entrada no ERC. Este é o trabalho que esta
direção já está a desenvolver e espero que todos se envolvam porque
tenho a certeza que vamos conseguir ter sucesso.Depois de no ano
passado o Azores Eco Rallye ter integrado o FIA ecoRally Cup e o
Campeonato de Portugal de Novas Energias, em 2025 a prova não surge no
calendário. É intenção desta direção do GDC recuperar este evento?O
ano passado o GDC fez um acordo com a Madeira, ficando definido
alternar a prova entre os Açores e o arquipélago vizinho. Assim, em 2025
será na Madeira e em 2026 será de novo nos Açores. No entanto, temos de
perceber da parte das entidades regionais e dos nossos parceiros se há
interesse em fazermos provas da chamada energia limpa. Anunciar que
queremos a realização de eventos que não causem poluição e depois de o
clube assumir as responsabilidades, não haver os apoios prometidos,
acabamos por criar um prejuízo ao GDC. Queremos recuperar e equilibrar a
parte financeira do clube e para que isso seja possível não podemos
voltar a fazer provas que causem prejuízo financeiro ao GDC. O Azores
Eco Rallye, pontuável para a FIA ecoRally Cup, obriga ao cumprimento de
certos requisitos que exigem um esforço financeiro avultado por parte do
clube. Se não houver apoio, não conseguimos realizar o evento. O GDC
precisa saber se, primeiro, há interesse em que se faça um evento que
promova os ideais da transição energética e se há apoio ou não dos
parceiros. É que sem apoios não conseguimos organizar o evento. Em 2025 o GDC celebra 65 anos. Depois das convulsões nos últimos anos, este será o ano em que o clube vai renascer?A
minha direção está empenhada em dar o seu melhor. Há que esquecer o
passado e olhar em frente. Costumo dizer que se o carro tem um
pára-brisas grande, enquanto o retrovisor é pequeno, isto significa que o
importante é o que está à nossa frente. Por isso o pára-brisas do carro
é grande, porque devemos nos preocupar com o que vem em frente. Estamos
empenhados no futuro a realizar provas e alinhar o clube no caminho do
sucesso. Temos a colaborar com o clube muitos colaboradores, alguns
deles há mais de 30 anos, e isso é bonito e todas estas pessoas – e
espero conseguir fazer isso – devem ser reconhecidas porque a boa
vontade e o esforço de todos eles é que fizeram com que o GDC chegasse
aos patamares que alcançou. Publicamente aproveito para agradecer a
todas estas pessoas que trabalham quase sempre nos bastidores, mas que
sem a sua colaboração não tinha sido possível atingir os sucessos e os
êxitos que os ralis do GDC tiveram. É preciso valorizar estes
colaboradores e a boa energia que o clube está a gerar vai ser possível,
novamente, termos sucesso.Nas últimas eleições, por exemplo,
conseguimos alcançar um número histórico de votantes. Apesar de só ter
existido uma lista, os sócios disseram presente e isso foi uma forma de
mostrar que no clube estamos unidos e que há uma vontade que as coisas
mudem, para que em São Miguel continue a haver ralis e eu estou 110%
empenhado em dar o meu melhor pelo clube.O clube faz 65 anos em 2025
e é um ano para valorizarmos todos aqueles que têm colaborado com o GDC
e que às vezes são esquecidos e espero que no final do ano possamos
celebrar o regresso do Azores Rallye ao CPR. E se isso acontecer já será
uma grande vitória para nós.
Quem será o novo diretor de provas do GDC?Dentro de dias
vou anunciar, em conferência de imprensa, a nova equipa técnica. Posso
adiantar que são pessoas experientes, pessoas dedicadas ao clube e que
no passado estiveram no grupo de pessoas que conduziram o Azores Rallye
ao patamar máximo do ERC. Com esta nova equipa tenho todas as garantias
que as coisas no terreno vão correr bem.Para além das provas
inscritas no Campeonato dos Açores de Ralis em 2025, o GDC vai ainda
organizar uma prova em São Jorge. Como surgiu esta possibilidade e
quando será este evento?É uma vontade das câmaras municipais de
São Jorge, às quais agradecemos a confiança depositada no GDC. No último
verão tivemos uma reunião com as autarquias e agora, em conjunto com a
direção de provas, vamos no próximo mês reunir para finalizar o acordo
celebrado, por um lado, e por outro, definirmos as classificativas do
Rallye Capital do Queijo que vai ser disputado nos dias 25 e 26 de
abril.Aproveito a ocasião para agradecer a confiança depositada
pelas câmaras, através dos presidentes das Velas e da Calheta, para que o
GDC organize esta prova e vamos todos colocar na estrada uma prova que
vai ser um espetáculo.O GDC pensa – ou tem possibilidades – de
voltar a organizar provas locais, como aconteceu há mais de uma década,
no sentido de fomentar a modalidade e, se possível, potenciar o
surgimento de novos valores?Está em cima da mesa estudarmos um
apoio com algumas empresas e grupos que estejam interessados em fazermos
um troféu para potenciar o surgimento de novos pilotos. Vamos também
falar com a FPAK para saber qual a possibilidade de podermos contar com
apoios. A Peugeot Portugal lançou – e quem sabe se não podemos replicar
um modelo parecido nos Açores – um modelo mais económico do 208 Rally4,
um carro ideal para jovens porque está com um preço muito competitivo.
Poderá ser uma boa opção para pilotos que queiram começar a carreira.
Penso que se conseguirmos reunir todas estas parcerias pode ser possível
levar por diante essa ideia. Embora neste momento as prioridades sejam
outras, este projeto está em cima da mesa, porque é muito importante
trazer jovens pilotos para as nossas provas.