Nutricionistas querem refeições de ‘take-away’ completas e horários alargados nas cantinas escolares
19 de ago. de 2020, 15:00
— Lusa/AO Online
As escolas estão a preparar o próximo ano
letivo de maneira diferente, devido à pandemia da covid-19, e o serviço
de refeições das cantinas está entre a lista de desafios dos diretores
escolares, que já apontaram a possibilidade de adotar o serviço de
‘take-away’. A Ordem dos Nutricionistas
lançou, por isso, um guia orientador no contexto da alimentação escolar
em tempos de covid-19, apontando uma série de recomendações para o
funcionamento das cantinas. Entre as
medidas, a instituição aconselha o alargamento do período de almoço e a
distribuição dos alunos por diferentes horários, de maneira a assegurar o
distanciamento social no espaço do refeitório, que deverá ter a lotação
reduzida.Em relação ao regime de
‘take-away’, a ordem sublinha a importância de assegurar que as
refeições sejam igualmente completas e equilibradas, incluindo “sopa,
conduto, guarnição, hortícolas, pão e fruta”. “As
escolas têm um papel imprescindível no fornecimento de uma alimentação
adequada para as crianças e jovens em idade escolar”, escreve a
instituição em comunicado, sublinhando que esse papel é ainda mais
importante no contexto atual, que fragilizou em termos económicos muitas
famílias.Por isso, o guia, disponível na
página da Ordem dos Nutricionistas, prevê também um conjunto de medidas
para o caso de as escolas serem novamente forçadas a encerrar, situação
que não poderá interromper o funcionamento das cantinas.Neste
caso, recomendam, as escolas deverão informar os encarregados de
educação sobre as alterações no fornecimento de refeições escolares, as
opções disponíveis e o procedimento de requisição das refeições, que
devem ser idênticas àquelas disponibilizadas em período normal.Enquanto
as escolas estiverem a funcionar, a ordem recomenda ainda a
disponibilização de talheres e guardanapos em saquetas individuais, a
eliminação de jarros com água e de recipientes para temperos, e o
desaconselhamento do uso de micro-ondas partilhados.“Fizemos
a nossa a parte, elaborando orientações para auxiliar os nutricionistas
na sua prática profissional. Agora esperamos que o Governo faça a sua
parte, desenvolvendo uma estratégia para a alimentação escolar nesta
fase de pandemia”, afirma a bastonária.Citada
em comunicado, Alexandra Bento sublinha a necessidade de reforçar o
número de nutricionistas nas escolas, em particular nesta fase.“É
urgente a presença de nutricionistas nas escolas, nomeadamente para a
implementação de mecanismos que permitem a identificação de alunos em
situação de insegurança alimentar, bem como para a intervenção
necessária para mitigar este problema e o seu impacto na saúde”,
refere. O próximo ano letivo arranca entre
os dias 14 e 17 de setembro com aulas presenciais, depois de três meses
de ensino à distância, devido à pandemia da covid-19 que em meados de
maio obrigou ao encerramento de todos os estabelecimentos de ensino.