Nutricionistas apoiam uso do sal iodado mas pedem educação alimentar
Hoje 10:03
— Ana Carvalho Melo
A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Liliana Sousa, manifestou
ontem apoio à fortificação do sal com iodo, mas alertou para a
necessidade de monitorização e de educação alimentar, de forma a evitar o
aumento do consumo de sal.Ouvida na Comissão de Assuntos Sociais, a
propósito do Projeto de Decreto Legislativo Regional apresentado pelo
PSD, CDS-PP e PPM, com o objetivo de criar mecanismos de promoção e
utilização obrigatória de sal iodado na administração pública regional,
Liliana Sousa manifestou o seu apoio à fortificação do sal e à
distribuição gratuita de suplementos para grupos vulneráveis, como as
grávidas, sublinhando que estas medidas seguem diretrizes internacionais
de saúde pública.“A Ordem dos Nutricionistas não só se congratula,
como se revê na medida que está a ser, neste momento, indicada como um
primeiro passo”, afirmou.No entanto, a bastonária da Ordem dos
Nutricionistas enfatizou a necessidade de uma monitorização contínua
para evitar o consumo excessivo e garantir que o reforço de iodo não
incentive um uso imoderado de sal.“Quando falamos em fortificação
com iodo, podemos estar a correr, de certa forma, o risco de conduzir a
um aumento do consumo de sal. Portanto, o lema deve ser: menos sal, mas
todo iodado”, defendeu.Nesse sentido, destacou que a suplementação
deve ser sempre acompanhada de “ações de educação alimentar e
literacia”, justificando que uma medida isolada pode comportar perigos.
Referiu ainda que a implementação nas escolas é uma “oportunidade criada
para que esta educação e esta mensagem possam ser transmitidas” de
forma harmonizada a alunos, professores e pais.Neste contexto,
explicou que o papel dos nutricionistas nas instituições públicas e
escolas passa pela responsabilidade prática, uma vez que os
profissionais que trabalham nessas estruturas são considerados os
“responsáveis pela adequação da medida na prática e no terreno”.Mas
também pelo controlo da confeção, dado o papel relevante no controlo da
adição de sal, garantindo que o resultado final tenha os “valores
desejados”, uma vez que existem “perdas durante a preparação e confeção
dos alimentos”.Refira-se que esta iniciativa legislativa visa
reforçar o consumo de iodo na população açoriana, com particular atenção
às fases de gravidez, recém-nascidos e crianças em idade escolar, “de
modo a resolver o problema de défice de iodo” detetado em estudos
recentes realizados na Região.Neste sentido, o projeto de decreto
legislativo regional pretende criar “mecanismos de promoção do consumo
de iodo, estabelecendo a obrigatoriedade de utilização de sal iodado na
administração pública regional direta e indireta”. Desta forma, é
estipulada a obrigatoriedade do uso de sal iodado “na confeção de
refeições em todos os serviços e entidades públicas da administração
pública regional, direta e indireta, incluindo institutos públicos,
fundos autónomos e setor público empresarial regional”, bem como em
refeitórios e bares escolares. A iniciativa da coligação prevê ainda
a entrega gratuita de suplementação de iodo às mulheres em fases
sensíveis do ciclo de vida, através das Unidades de Saúde de Ilha,
mediante prescrição médica.Também o presidente da Ordem dos
Enfermeiros nos Açores, Pedro Soares, manifestou ontem o apoio da
instituição ao projeto de decreto legislativo regional que visa promover
o uso obrigatório de sal iodado na administração pública e a sua
disponibilização a grávidas.“Trata-se, a nosso ver, de uma medida
simples, sustentável e de elevado retorno social, que reforça o
compromisso regional com a promoção da saúde maternoinfantil e com o
cumprimento das recomendações da Organização Mundial da Saúde no domínio
da prevenção da deficiência de iodo”, afirmou o responsável, que também
foi ontem ouvido na Comissão de Assuntos Sociais.Acrescentou ainda
que a entrega gratuita de suplementação de iodo às mulheres em fases
sensíveis do ciclo de vida deve ser feita pelos serviços farmacêuticos
das instituições e não pelos enfermeiros. Nesse sentido, Pedro Soares
considera que “os enfermeiros poderão ter um papel fundamental na
literacia que podem promover junto da população sobre esta questão”,
considerando que, devido à sua “proximidade (...) em termos terapêuticos
com a população”, estes profissionais são peças-chave para a
“disseminação (...) desta medida”.