Nuno Melo questiona Bruxelas sobre licenças de alojamento local em Portugal
Habitação
8 de mar. de 2023, 08:56
— Lusa/AO Online
O Governo português
apresentou no mês passado um conjunto de medidas para a habitação e uma
das quais visa a suspensão de novas licenças de AL, exceto em zonas
rurais, e a reapreciação das atuais licenças em 2030.De
acordo com uma pergunta endereçada na terça-feira à Comissão, o
centrista Nuno Melo, que pertence à família política do Partido Popular
Europeu (PPE), justificou que a “liberdade de prestar serviços
reveste-se de extrema importância para a conclusão do mercado interno,
sendo um dos desígnios dos tratados a eliminação de entraves à liberdade
de estabelecimento e a livre circulação de serviços”.“A
referida proposta cria um entrave à liberdade de prestação de serviços
enunciada, configurando um obstáculo à garantia dos destinatários e aos
prestadores a segurança necessária para o exercício efetivo das
liberdades previstas nos tratados, representando uma violação grosseira
do princípio da proporcionalidade”, acrescentou o também presidente do
CDS-PP, questionando ainda qual vai ser a reação de Bruxelas.A
proibição da emissão de licenças de alojamento local, de acordo com o
eurodeputado, viola uma diretiva europeia de 2006 por impedir “ao
prestador desenvolver as suas atividades de serviços no mercado
interno”.Por essa razão, Nuno Melo exorta a Comissão Europeia a pedir esclarecimento ao executivo português.Em
meados de fevereiro passado, o Governo anunciou medidas do “Programa
Mais Habitação”, que entre outras, preveem a disponibilização de mais
solos para construção de habitação, incentivos à construção por privados
ou incentivos fiscais aos proprietários para colocarem casas no mercado
de arrendamento.O novo pacote legislativo
foi aprovado num Conselho de Ministros dedicado ao setor, tendo o
Governo assumido a habitação acessível como um dos maiores desafios da
atualidade.Entre as medidas que visam
estimular o mercado de arrendamento, assim como a agilização e
incentivos à construção, incluem-se o fim dos vistos 'gold'.Outras
medidas visam o Estado vir a substituir-se ao inquilino e pagar rendas
com três meses de incumprimento, a obrigatoriedade de oferta de taxa
fixa pelos bancos no crédito à habitação ou famílias que vendam casas
para pagar empréstimo da sua habitação ficarem isentas de mais-valias. As
medidas do Programa Mais Habitação vão custar cerca de 900 milhões de
euros, não incluindo nesta estimativa o que venham a ser valores de
custos com rendas, com obras a realizar ou com compras, mas incluindo
aqui o valor das linhas de crédito, e será mobilizado através das verbas
do Orçamento do Estado, indicou o ministro das Finanças, Fernando
Medina.