Nuno Melo defende aumento de investimento nas Forças Armadas e melhores condições para militares
5 de jul. de 2024, 15:36
— Lusa/AO Online
"Não tenho
dúvidas nenhumas de que nos últimos anos se tem investido muito pouco
nas Forças Armadas. E enquanto ministro da Defesa a minha preocupação,
desde o primeiro dia, tem sido de investir muito mais, (...) temos de
melhorar as condições de recrutamento e retenção e isso passa por
militares melhores pagos e melhores remunerados", disse Nuno Melo, no
âmbito de uma visita à 2ª edição do evento Artex, organizado pelo
exército português, no campo militar de Santa Margarida, em Constância,
no distrito de Santarém.O ministro
enfatizou a importância de canalizar recursos para as Forças Armadas e
melhorar as condições dos militares, oferecendo melhores salários e
reconhecendo a “especificidade da condição militar”.O
ministro considera que a atratividade da carreira militar passa não só
pelo aumento dos salários, mas também “pelos suplementos, pelo
alojamento, pela compatibilização da vida militar e familiar, e pela
capacidade de investir em melhores equipamentos"."Só assim é possível garantir a dignificação da carreira militar”, disse o ministro. Nuno
Melo reiterou ainda o objetivo de atingir os 2% do PIB na área da
defesa nacional até 2029, referindo que esse objetivo terá de ser feito
de forma faseada, para “não comprometer as finanças públicas”.“Temos
de nos aproximar dos compromissos da Nato e isso implica um
investimento de 2% do PIB na área da defesa. A meta está traçada e foi
anunciada pelo primeiro-ministro. Até 2029 teremos esse montante mínimo,
e esse compromisso será feito faseadamente, tendo em conta as
possibilidades orçamentais", explicou.O
ministro defendeu ainda que a dimensão política tem de dar resposta aos
principais problemas que afetam as Forças Armadas, nomeadamente na
questão dos recursos humanos, referindo que o Ministério da Defesa já
identificou, juntamente com o Exército, as principais lacunas do setor e
que "agora é tempo de concretizar resultados”.O
ministro alertou ainda que o investimento nas Forças Armadas é um
processo longo, referindo que é impossível passar de um contexto de
“desinvestimento crónico de muitos anos” para um contexto de
"investimento total, num país que “não tem recursos ilimitados”. O
ministro marcou presença no Exercício “Army Technological
EXperimentation (Artex) uma iniciativa direcionada para o tecido
empresarial, tecnológico e académico, com o objetivo de modernizar o
Exército português. Segundo o exército, o
evento pretende, entre outros objetivos, potenciar "as atividades de
investigação e desenvolvimento de entidades públicas e privadas do
Sistema Científico e Tecnológico Nacional e da Base Tecnológica e
Industrial de Defesa". O
major-general Maia Pereira, num discurso de apresentação da iniciativa,
explicou que este evento representa "o futuro do Exército português" e
apelou aos centros de investigação, à indústria e às universidades para
olharem para a defesa "como uma oportunidade de modernizar o país".Segundo
Maia Pereira, esta iniciativa permite criar uma "cultura de parceria e
planeamento" de forma a "preparar os militares para o futuro". O
Artex 2024 tem também como objetivos promover o desenvolvimento da
força terrestre, promover a partilha de conhecimentos e assegurar o
controlo do campo de batalha. Foi ainda
divulgado que o Exército tem atualmente mais de 100 projetos e
subprojetos que vão permitir modernizar e exército em diversas áreas,
nomeadamente nas forças pesadas, médias e ligeiras, no transporte
terrestre, nas operações especiais, nas reservas de guerra, entre
outros.