Nuno Leandro vai presidir à Visit Azores
Hoje 16:44
— Lusa/AO Online
O gestor hoteleiro Nuno Leandro vai ser o presidente do novo conselho
de administração da Visit Azores, a associação de promoção turística
dos Açores, anunciou hoje a secretária regional do Turismo, Mobilidade e
Infraestruturas, Berta Cabral.“Pretendemos
revitalizar a associação Visit Azores, cujo novo conselho de
administração integrará os empresários, na definição da estratégia
promocional, que será presidida pelo gestor Nuno Leandro”, disse a
governante no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, na cidade
da Horta.Berta Cabral, que falava durante
um debate de urgência promovido pela bancada do PS (o maior partido da
oposição nos Açores) sobre as políticas públicas de incentivo ao
turismo, falava depois de, no dia 07, ter sido indicado o nome do
administrador executivo da SATA Bernardo Oliveira para presidente da
Visit Azores, cargo que iria assumir de forma “provisória”.Segundo
confirmou o próprio à agência Lusa na altura, não iria receber qualquer
remuneração pelo exercício de funções na Visit Azores e vai manter-se
como administrador executivo na SATA, onde é responsável pelas áreas
comercial, marketing e comunicação.A
deputada socialista Marlene Damião justificou, no início da sua
intervenção, que o debate de urgência proposto pelo seu partido
pretendia dar voz às preocupações de cerca de 200 empresários do setor
turístico dos Açores, que alertaram para os sinais de abrandamento na
atividade e para “a falta de resposta do Governo Regional” de coligação
PSD/CDS-PP/PPM.“Estas preocupações não são
isoladas! Os empresários, as associações e câmaras do comércio sentiram
necessidade de vir a público manifestar o seu descontentamento, num
sinal claro de que o setor não está a ser ouvido nem acompanhado como
deveria”, insistiu a parlamentar socialista.A
redução da oferta aérea, agravada pela saída da companhia aérea Ryanair
dos Açores, no final de março, a diminuição da competitividade do
destino e a falta de execução em áreas essenciais como a promoção
turística, ajudam a explicar o momento que o setor atravessa, na opinião
dos deputados do PS.A titular da pasta do
Turismo nos Açores garantiu que o executivo açoriano, liderado pelo
social-democrata José Manuel Bolieiro, está a implementar as adaptações
necessárias para proteger e dinamizar o setor turístico, face à atual
conjuntura global.De acordo com os dados
estatísticos revelados por Berta Cabral, os Açores conseguiram
materializar “com sucesso”, o crescimento do setor do turismo nas ilhas,
registando 4,5 milhões de dormidas (mais 4,1% face a 2024), a somar a
um “expressivo” aumento de 9,6% nos proveitos totais da hotelaria.A
bancada do PS socorre-se, no entanto, dos dados estatísticos do Serviço
Regional de Estatística dos Açores (SREA), segundo os quais há uma
quebra gradual de turistas nos Açores nos últimos sete meses, com
especial impacto no setor do alojamento local, que estará a atravessar
dificuldades.Para o líder parlamentar do
Chega, José Pacheco, a quebra na procura do destino Açores resulta, em
parte, da “falta de estratégia para o turismo”, que os empresários estão
agora a pagar.“Quando o turismo estava
bem, devíamos ter acautelado o futuro. Mas não é razoável que os
açorianos aceitem que, por uma companhia aérea ‘low cost’ deixar de voar
para os Açores, o turismo vai acabar”, afirmou.O
deputado do CDS Pedro Pinto alertou para a necessidade de ser feita uma
análise séria e responsável do momento que o setor do turismo atravessa
na região, mas manifestou desagrado pelo “oportunismo político” e
“alarmismo desnecessário” que o PS causou ao levar o assunto ao
parlamento.Já Pedro Neves, do PAN, alertou
para o alegado “excesso de turistas” na ilha de São Miguel, a maior dos
Açores, na sequência do fim da operação da Ryanair, ao passo que João
Mendonça, do PPM, entende que a alegada crise que o setor
atravessa resulta também dos impactos negativos que os conflitos
militares no Médio Oriente estão a ter na economia de vários países.Rúben
Cabral, da bancada do PSD, manifestou a confiança nas políticas de
promoção do turismo dos Açores, da responsabilidade do Governo de
coligação, lembrando que, mesmo sem a Ryanair, existem 16 companhias
aéreas a voar para os Açores, num total de 30 rotas diferentes.António
Lima, deputado do BE, criticou a escolha de Bernardo Oliveira como
administrador provisório da Visit Azores por considerar que podia
configurar um possível “conflito de interesses” com o cargo na SATA.Pedro
Ferreira, da Iniciativa Liberal, lamentou que o Turismo dos Açores
esteja à beira de um “colapso” por “falta de estratégia” do Governo
Regional e de um adequado investimento na promoção turística.