Núncio apostólico promete ser “bom advogado” no convite ao Papa para visitar Açores
Hoje 19:30
— Lusa/AO online
Andrés Carrascosa Coso,
que se encontra em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, a
participar nas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, disse hoje
aos jornalistas que o convite do bispo da diocese “foi feito e 500 anos
são 500 anos”.Segundo o portal Igreja
Açores, no sábado, no final da Procissão da Mudança da Imagem, o bispo
de Angra, Armando Esteves Domingues, lançou o convite ao Santo Padre
para visitar os Açores para “assinalar os 500 anos da criação da Diocese
em 2034”.A sugestão já tinha sido deixada
na Assembleia Conjunta dos Conselhos Presbiteral e Pastoral Diocesano
em 2025 e, no sábado, o prelado diocesano, sublinhou-a na presença do
núncio apostólico da Santa Sé em Portugal, referindo que a data do
jubileu diocesano poderia ser “uma oportunidade” para o Papa estar nos
Açores.Hoje, em declarações aos
jornalistas, Andrés Carrascosa Coso, referiu que “as agendas do Papa não
são fáceis” e esclareceu que “não é uma Diocese que convida”, mas sim
uma Conferência Episcopal.“E depois, a
nível mundial, todo o mundo está a convidar o Papa para todo o ano. Nós,
no continente, quando cheguei, quando fui nomeado, falaram-me, ‘olha,
no ano que vem são 110 anos das Aparições de Fátima, são 10 anos da
canonização dos pastorinhos, são 500 anos da existência de uma
Nunciatura Apostólica fixa em Lisboa’”, lembrou.Devido
a tudo isso, disse não saber se o convite para uma deslocação de Leão
XIV aos Açores “vai fazer com que possa entrar ou não numa agenda papal
do ano 2027”.“Essas coisas não são [assim]
tão fáceis. [Mas] que vão ter um bom advogado, vão ter um bom advogado.
Bom, não sei, pelo menos no sentido de que vai apoiar, vai apoiar.
Depois vamos ver. São coisas muito complexas”, afirmou Andrés Carrascosa
Coso.O núncio apostólico garantiu, no
entanto, que voltará aos Açores, porque da sua “missão de representar o
Santo Padre faz parte também este conhecer, porque quem não conhece não
ama”.“Isso ajuda a conhecer, respeitar a
cada povo, cada diocese, cada região. E aqui, vocês [nos Açores] são uma
diocese, com nove ilhas, que não é fácil, porque já me foram falando
das tradições de uma ilha e de outra. Eu vou tentar conhecer”, explicou.Andrés Carrascosa Coso acrescentou que, desta vez, não veio “tanto para falar”, mas “mais para conhecer, escutar”.“Por exemplo, tive momentos muito bonitos de diálogo com a vida consagrada, com os padres. Vou voltar, sim”, concluiu.Sobre
a participação, pela primeira vez, nas Festas do Santo Cristo dos
Milagres, em Ponta Delgada, onde esteve como peregrino, o núncio
apostólico, nomeado pelo Papa em dezembro de 2025, relatou que ficou
sensibilizado com a procissão realizada na tarde de domingo.As
festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres - consideradas a segunda
maior manifestação religiosa do país depois das peregrinações a Fátima
-, decorrem até quinta-feira e tiveram no fim de semana o seu ponto
alto.Os festejos, que têm por referência a
imagem do "Ecce Homo", realizam-se no quinto domingo a seguir à Páscoa,
e levam anualmente até São Miguel milhares de peregrinos oriundos das
nove ilhas dos Açores, do continente, dos Estados Unidos da América e do
Canadá.As celebrações deste ano foram
presididas pelo cardeal António Marto, bispo emérito da diocese de
Leiria-Fátima, e contaram também com a presença do núncio apostólico em
Portugal, Andrés Carrascosa Coso, nomeado pelo Papa Leão XIV em 11 de
dezembro e que visitou pela primeira vez os Açores.