Número de utentes à espera nos cuidados continuados de saúde mental subiu em 2024

8 de jan. de 2026, 11:44 — Lusa/AO Online

A monitorização da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados relativa a 2024, divulgada, indica que o maior número de utentes em espera aguardava vaga nas Residências de Apoio Máximo (RAMa) - para pessoas com doença mental grave, clinicamente estabilizadas, mas com dificuldade em viver de forma independente – e nas Residências de Apoio Moderado (RAMo), para desenvolver competências psicossociais e melhorar a qualidade de vida.Apesar de o maior número de utentes a aguardar vaga nos cuidados de saúde mental ser nestas duas tipologias, a ERS diz que em 2024 baixou o número de utentes à espera de vaga nas RAMa.O número de lugares contratados RAMa de adultos caiu ligeiramente face a 2023, uma tendência que já se tinha verificado no ano anterior.Para a tipologia com maior acesso potencial (RAMa), 70,5% da população residente em Portugal continental residia a 60 minutos ou menos de uma destas unidades.Este dado contrasta com os 39,8% da população com cobertura por uma Residência de Treino de Autonomia (RTA), a tipologia com menor cobertura populacional.Estas residências visam a reabilitação psicossocial de pessoas com doença mental, preparando a reintegração na comunidade através do desenvolvimento de competências para a vida diária, apoio psicossocial e terapêutico e supervisão de atividades como a gestão de medicação e tarefas domésticas. Na prática, simulam a vida autónoma para posterior integração familiar ou social.Os dados da ERS indicam que a cobertura populacional variava entre 22% nas Unidades Sócio-Ocupacionais (USO), que oferecem atividades terapêuticas, apoio psicossocial e reintegração na comunidade, para promover autonomia, e os 41,8% nas RAMa, considerando a população residente a 30 minutos ou menos de um ponto de rede de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental (CCISM).A ERS aponta ainda para uma redução da demora média de internamento em cinco das oito tipologias analisadas, destacando-se as RAMa e RAMo, esta última como a única dentro dos 12 meses recomendados.Em sentido oposto, as Residências Autónomas de Saúde Mental (RA) - espaços comunitários para pessoas com doença mental grave, clinicamente estáveis e com baixa incapacidade psicossocial, mas que não têm suporte familiar adequado - e as respostas em ambulatório registaram aumentos significativos, sobretudo nas Unidades Sócio-Ocupacionais Infância Adolescência, onde o tempo médio mais do que duplicou face a 2023.Quanto ao número de respostas contratadas de CCISM de adulto, baixou para 475 (478 em 2023).O regulador lembra ainda a localização dos pontos de rede das tipologias de adultos, com internamento e ambulatório, sublinhando que, à semelhança de 2022 e 2023, a oferta em 2024 continuou a ser residual no interior do país e nas regiões de saúde do Alentejo e do Algarve.Relativamente às tipologias destinadas à infância e adolescência, manteve-se a tendência dos últimos anos para a estabilidade no número de respostas contratadas (37).A ERS diz ainda que continuará a acompanhar esta área, reconhecendo a sua relevância no contexto do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e os constrangimentos que persistem no acesso a estes cuidados.