Número de refugiados regista maior aumento em 2022 e atinge 35 milhões de pessoas
7 de mai. de 2024, 17:34
— Lusa
“No
final de 2022, havia um total de 35,3 milhões de refugiados em todo o
mundo, estando 29,4 milhões sob mandato do Alto-comissariado das Nações
Unidas para os Refugiados (ACNUR) e 5,9 milhões registados pela Agência
das Nações Unidas para Ajuda aos Refugiados da Palestina (UNRWA)”,
refere a OIM no seu relatório anual, hoje apresentado.Segundo
o documento, o número total de refugiados é o mais elevado registado
pelos relatórios estatísticos modernos e o crescimento do número de
refugiados entre 2021 e 2022 é o maior em termos anuais, o que se deve,
“em grande parte, às fugas da Ucrânia depois da invasão da Rússia”.A
agência das Nações Unidas contabilizou cerca de 5,4 milhões requerentes
de asilo, ou seja, pessoas que procuram proteção internacional e
aguardam a determinação do seu estatuto de refugiado.“Só
em 2022, foram registados quase 2,9 milhões de pedidos de asilo em 162
países, o maior número de pedidos de asilo individuais alguma vez
registado”, sublinha a OIM.Nesse ano, o
número global de novos pedidos de asilo individuais apresentados em
primeira pela primeira vez foi de 2,6 milhões, um aumento de 83% em
relação a 2021, acrescenta a organização.O
principal destino continua a ser os Estados Unidos, com cerca de
730.400 pedidos, número três vezes superior ao do ano anterior, enquanto
a Alemanha é o segundo local preferido, com 217.800 novos pedidos.A
OIM sublinha ainda que os menores de 18 anos constituíram cerca de 41%
do total de refugiados, tendo sido registados 51.700 pedidos de asilo
feitos por crianças não acompanhadas.Quase
nove em cada 10 refugiados sob mandato do ACNUR provinham de 10
principais países de origem – Síria, Ucrânia, Afeganistão, Sudão do Sul,
Myanmar, República Democrática do Congo, Sudão, Somália, República
Centro-Africana e Eritreia –, lista que, à exceção da Ucrânia, se mantém
intacta há muitos anos, alerta o relatório“Dinâmicas
de conflito novas, não resolvidas ou renovadas em países chave
contribuíram significativamente para os números e tendências atuais”,
justifica a OIM no documento, lembrando que “a invasão da Ucrânia pela
Federação Russa, em 2022, resultou numa das maiores crises de
deslocamento de pessoas desde a II Guerra Mundial”.No
ano em que começou a guerra, cerca de 5,7 milhões de ucranianos foram
forçados a fugir, tornando a Ucrânia “no segundo maior país de origem de
refugiados no mundo”.No entanto, “o
conflito prolongado na República Árabe Síria fez com que o país
continuasse a ser a maior origem de refugiados do mundo no final de 2022
(6,5 milhões), mesmo que o número tenha representado uma diminuição em
relação aos 6,8 milhões de 2021”, sublinhou a agência da ONU.Além
disso, acrescentou, “a instabilidade e a violência que fez do
Afeganistão uma importante fonte de refugiados durante mais de 30 anos
continuou, sendo o país o terceiro maior país de origem do mundo, com
cerca de 5,7 milhões de refugiados em 2022, o que significa mais 2,7
milhões de pessoas do que em 2021”.No
total, os refugiados da Síria, Ucrânia, Afeganistão, Sudão do Sul,
Myanmar e República Democrática do Congo representaram mais de metade da
população refugiada mundial. Tal como nos anos anteriores, mais de metade de todos os refugiados reside em 10 países.“Em
2022, pelo sétimo ano consecutivo, a Turquia foi o maior país anfitrião
do mundo, com quase 3,6 milhões de refugiados, sobretudo vindos da
Síria”, adianta a análise da OIM.O
Paquistão e a República Islâmica do Irão também estiveram entre os 10
principais países de acolhimento, sendo os dois principais anfitriões de
refugiados do Afeganistão, o segundo maior país de origem.A restante lista foi ocupada pelo Uganda, Rússia, Alemanha, Sudão, Polónia, Bangladesh e Etiópia.