Número de pulseiras eletrónicas no âmbito de violência doméstica aumentou 222% em 10 anos
Hoje 12:32
— Lusa/AO Online
Segundo
o relatório estatístico da Direção-Geral de Reinserção e Serviços
Prisionais (DGRSP) sobre penas e medidas com vigilância eletrónica,
existiam em Portugal 513 pulseiras eletrónicas em 2016 e, no final de
2025, este número subiu para 1.655, numa tendência de crescimento anual.“Na
sequência de medidas que tiveram como objetivo reforçar as respostas
para a prevenção e combate à violência contra as mulheres e contra a
violência doméstica, principalmente a partir de 2019, este regime
registou um crescimento em 10 anos”, lê-se no relatório. O
relatório da DGRSP, além dos dados dos últimos dez anos, avança ainda
com dados mais recentes sobre as medidas e penas recorrendo à vigilância
eletrónica, referentes ao último dia de abril, data em que estavam em
vigor 1.653 pulseiras eletrónicas. Deste
total, o distrito do Porto é que tem o número mais elevado de pulseiras
eletrónicas relacionadas com o crime de violência doméstica, com 346. A
seguir surge Lisboa, com 281 medidas e penas de vigilância eletrónica,
Braga com 246, Setúbal com 167, Guarda com 112, Coimbra com 108 e
Mirandela com 105.Além da violência
doméstica, a vigilância eletrónica teve um crescimento em todas as
medidas e penas - quer como medida de coação, quer como condenação, quer
como medida de adaptação de liberdade condicional. Em
relação à pena de prisão com pulseira eletrónica - em que o condenado
não pode sair da sua habitação -, o aumento foi de 692,75%, passando de
69 pulseiras eletrónicas em 2016 para 547 pulseiras eletrónicas em 2025.
Dentro das cadeias, a tendência é também
de crescimento e, tal como avançou a ministra da Justiça em abril, em
entrevista à Lusa, o número de presos por violência doméstica voltou a
aumentar.Cerca de 9% dos reclusos que
estavam nas cadeias portuguesas em 2025 cometeram crimes de violência
doméstica, segundo dados do Ministério da Justiça: 376 estavam em prisão
preventiva, mais 11% do que no ano anterior, e 1.184 já tinham sido
condenados, o que corresponde a um aumento de 16% face a 2024. “Sabemos
que os números [de queixas] de violência doméstica diminuíram
ligeiramente, mas também sabemos que houve um aumento expressivo dos
condenados e dos presos preventivos por violência doméstica”, apontou
Rita Alarcão Júdice, considerando que “alguma coisa está a funcionar
melhor”.No entanto, não se sabe quantos
destes presos são reincidentes - foram condenados no passado -,
impedindo, por exemplo, a adoção de medidas para evitar que a mesma
pessoa regresse à Justiça uma segunda vez.A
responsável pela pasta da Justiça anunciou que será feito um estudo
sobre a taxa de reincidência, sublinhando que é necessário “perceber que
o contexto de violência doméstica faz gerar também mais agressão”.