Número de manifestantes mortos por forças de segurança no Iraque sobe para 27
28 de nov. de 2019, 16:45
— Lusa/AO online
De acordo com as mesmas fontes, as
forças de segurança mataram 23 manifestantes e feriram 165 durante a
noite de quarta-feira, naquela cidade do sul do país.Este
número indica que o dia de hoje foi um dos mais mortais desde 1 de
outubro, quando começaram os protestos no Iraque para pedir a “queda do
regime”, numa altura em que se assinala o primeiro ano do novo executivo
iraquiano, que implementou uma série de reformas económicas alvo de
contestação.A situação no sul do Iraque
durante a noite de quarta-feira tornou-se mais violenta quando os
manifestantes bloquearam estradas e entraram em conflito com as forças
policiais e militares, que reforçaram a sua presença nas províncias mais
ricas em petróleo.Também na quarta-feira,
os manifestantes destruíram o consulado iraniano na cidade de Najaf e
pelo menos 33 pessoas ficaram feridas quando a polícia disparou munições
reais para impedir as pessoas de entrarem no edifício, tendo sido
declarado um recolher obrigatório depois do incidente.O
Irão apresentou hoje um protesto e pediu ao Iraque que tome medidas
decisivas contra os “agressores” do edifício do consulado na cidade
xiita de Najaf.Na capital, Bagdad, a manhã
de hoje também foi de confrontos violentos, tendo resultado na morte de
pelo menos quatro manifestantes, segundo disseram à agência de notícias
Associated Press polícias sob anonimato.Segundo
as autoridades, as forças de segurança dispararam contra vários
manifestantes que tentavam escalar as barricadas na ponte Ahrar, na
capital do Iraque.As três pontes
estratégicas de Bagdad - Jumhuriya, Sinak e Ahrar –, que levam à praça
onde se localiza o Governo do Iraque, estão ocupadas por manifestantes
num impasse com as forças de segurança.Também
a embaixada dos Estados Unidos protestou hoje contra uma decisão
recente do regulador da comunicação social do Iraque por ter suspendido
nove canais de televisão e pediu que a decisão seja revertida.A
licença do canal local Dijla TV foi suspensa na terça-feira por cobrir
os protestos, tendo o edifício onde funciona a estação sido fechado e
confiscados os equipamentos, segundo denunciou um outro canal que também
está a ser ameaçado.Mais de 350 pessoas
foram mortas e 15.000 feridas, na sua maioria manifestantes, desde o
início de outubro, segundo fontes médicas e de segurança.A
contestação decorreu até agora em duas fases. A primeira, entre 01 e 06
de outubro provocou, segundo números oficiais, 157 mortos, quase todos
manifestantes. A segunda começou no dia 23 à noite, por ocasião de uma
importante peregrinação xiita.