Número de crianças e jovens em risco retiradas à família baixou para 6.349 em 2024
11 de set. de 2025, 16:28
— Lusa/AO Online
Os dados do
Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das
Crianças e Jovens (CASA) 2024, divulgados em comunicado pelo Governo,
apontam também que 88,5% das crianças e jovens em perigo permaneceram em
meio natural de vida e apenas 11,5% foram colocadas em acolhimento.“O
esforço do Governo para assegurar respostas que se aproximem do meio
familiar, permitindo vivências mais normalizadoras, resultou numa
redução de cerca de uma centena de crianças e jovens que precisaram de
acolhimento, passando de 6.446 em 2023 para 6.349 em 2024”, salienta o
Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social que já enviou o
relatório para o Ministério dos Assuntos Parlamentares, para a sua
divulgação aos grupos parlamentares.Para
as 6.349 crianças e jovens em situação de acolhimento em 2024, a duração
média do tempo de permanência foi de três anos, registando-se uma
diminuição de um mês face ao ano anterior.
Segundo os dados, a redução das crianças e jovens em resposta de
colocação verificou-se sobretudo nas casas de acolhimento (de 5.983 em
2023, para 5.678 em 2024), em contraste com o aumento progressivo do
número de crianças que se encontram em acolhimento familiar (de 263 em
2023, para 361 em 2024) e em apartamento de autonomização (de 200 em
2023, para 310 em 2024). O ministério
salienta que estes dados traduzem “uma tendência clara de
desinstitucionalização das respostas de colocação”, notando que o
acolhimento familiar aumentou 37%.
“Tem sido reforçada a aposta nesta medida alternativa à
institucionalização, que permite às crianças viver com uma família que
lhe garanta segurança, afeto e desenvolvimento saudável”, adianta,
lembrando que o Governo lançou em 2024 uma campanha de divulgação do
acolhimento familiar que já resultou em cerca de 800 manifestações de
interesse por parte de famílias. Registou-se
também um aumento de 55% na colocação em apartamentos de autonomização,
que servem para apoiar a transição para a vida adulta de jovens em
risco entre os 15 e os 21 anos, apoiando o seu processo de autonomia. Os
problemas na origem da necessidade de acolhimento mantêm-se em linha
com a tendência dos anos anteriores, predominando a falta de supervisão e
acompanhamento familiar (21%), seguida da exposição a modelos parentais
desviantes (12%) e negligência ao nível da educação (11%).Mais
de 68% das crianças e jovens que cessaram o acolhimento regressaram à
família (pais ou outro familiar), seguindo-se a integração em família
adotiva (17,2%). Quase 3% dos jovens saíram do acolhimento para
autonomia supervisionada.O Relatório CASA visa caracterizar as crianças e jovens em situação de acolhimento, familiar e residencial. Os
números de 2024 mostram que foram aplicadas um total de 55.448 medidas
de promoção e proteção, das quais 11,5% foram medidas de colocação. A
caracterização apresentada no Relatório CASA 2024 incide sobre este
universo de medidas de colocação.Para a
elaboração deste relatório foram ouvidas as crianças e jovens acolhidos,
bem como as suas famílias, contando também com a perspetiva dos
profissionais das casas de acolhimento, através da utilização de
questionários dirigidos a cada um dos intervenientes.