Número de cirurgias nos Açores aumentou com hospital modular
11 de jul. de 2025, 15:18
— Lusa/AO Online
“Continuamos
a recuperar em toda a linha de atividade do HDES, potenciando a
atividade do hospital modular e do velho edifício. É exemplo do que
acabo de referir o número de cirurgias realizadas, que aumentou 28%
entre fevereiro e junho do presente ano, o que corresponde a 3308 atos
cirúrgicos”, explicou a governante.A
secretária falava no parlamento regional, na Horta, durante a discussão
do relatório final da comissão de inquérito ao incêndio no HDES.Mónica
Seidi disse também em plenário que o novo equipamento de ressonância
magnética instalado no hospital modular (estrutura provisória construída
junto ao edifício principal, atingido por um violento incêndio a 4 de
maio de 2024) já permitiu realizar 198 exames, evitando que os utentes e
seus familiares tivessem de se deslocar para fora da região.Os
números apresentados pela titular da pasta da Saúde nos Açores foram,
no entanto, contestados pelo deputado do PS Carlos Silva, que lamentou
que “informação relevante” como esta, tenha sido "omitida" até agora
pelo executivo regional e que não tenha sido
divulgada previamente.“Isto é um facto
lamentável. É um padrão comum, esconder informação deste parlamento!”,
acusou o parlamentar socialista, que continua a levantar muitos dúvidas
sobre o “cumprimento da legalidade” das decisões tomadas pelo Governo
Regional, relativamente à adjudicação do projeto de construção do
hospital modular.Também Olivéria Santos,
deputada do Chega, lamentou a falta de transparência sobre a opção do
Governo pelo hospital modular, estrutura que acabou por custar cerca de
três vezes mais do que o previsto e demorou mais tempo a construir do
que o planeado.“Fomos enganados em todas as horas”, desabafou a deputada do Chega.O
líder parlamentar do Chega, José Pacheco, também não escondeu a sua
revolta e concluiu que “alguém vai encher as algibeiras com isto”,
referindo-se à construção do hospital modular, que estava inicialmente
orçado em 12 milhões de euros, mas que acabou por custar quase 40
milhões.O secretário regional dos Assuntos
Parlamentares, Paulo Estêvão, saiu em defesa da titular da pasta da
Saúde e criticou as declarações do Chega, afirmando que o Governo
Regional “não admite suspeições” sobre o desempenho de Mónica Seidi em
relação às decisões políticas tomadas após o incêndio de 2024.A
secretária regional da Saúde admitiu que existiram opiniões diferentes
entre os técnicos e os clínicos, a propósito da reabertura parcial do
HDES após o incêndio, esclarecendo que, “em situações de incerteza,
prevaleceu sempre a parte clínica”, apoiada pela posição das ordens dos
Médicos e dos Enfermeiros.O relatório
final da comissão de inquérito, que já tinha sido aprovado por
unanimidade, foi, entretanto, remetido ao Tribunal de Contas e ao
Ministério Público, para os devidos efeitos legais.O
documento conclui que o incêndio, que ocorreu numa das baterias de
condensadores do hospital, teve origem acidental e que, na altura, o
sistema automático de deteção de incêndios estava funcional apesar de
“obsoleto” e de apresentar “falhas”.Refere
também que os processos de contratualização, conceção e construção da
estrutura modular “não foram sujeitos a fiscalização prévia do Tribunal
de Contas”, razão pela qual as matérias relacionadas com a legalidade e
regularidade financeira “não foram previamente avaliadas”.