Número de beneficiários do RSI diminui nos Açores para menos de metade
4 de out. de 2024, 10:00
— Lusa/AO Online
“Entre dezembro de 2020 e
até à data de 31 de agosto deste ano, houve um decréscimo de 51,4% do
número de beneficiários, ou seja, nunca houve um valor tão baixo de
beneficiários do RSI como aquele que apresento hoje aqui”, garantiu a
secretária regional da Saúde e Solidariedade Social, Mónica Seidi,
durante uma audição na Comissão de Assuntos Sociais do parlamento
açoriano, realizada em Ponta Delgada.Segundo
a governante, a redução no número de beneficiários desta prestação
social, de âmbito nacional, resulta, em grande parte, do aumento da
fiscalização por parte da Inspeção Regional da Saúde, apesar do
“reduzido quadro de inspetores” (27) que existem no arquipélago.“Esta
redução, não sendo excelente, denota uma evolução positiva porque temos
também mais inspetores e os processos de fiscalização têm vindo a
aumentar”, justificou a governante, que foi ouvida pelos deputados a
propósito de uma proposta da bancada do Chega, na Assembleia Legislativa
dos Açores, que pretende “combater a fraude” entre os beneficiários do
RSI.“O Estado pode e deve ter o papel de
ajudar quem precisa. Mas não podemos responsabilizar-nos pelo pagamento a
alguém que se desresponsabiliza do trabalho. Isto é um facto e é
urgente corrigirmos”, justificou o líder parlamentar do Chega, José
Pacheco, durante a apresentação da proposta em plenário, no início de
setembro.O proponente entende que é
necessário e urgente combater as baixas fraudulentas e obrigar os
beneficiários a inscreverem-se nos centros de emprego, defendendo ainda
que aqueles que se recusem a trabalhar tenham de prestar serviço à sua
comunidade.A secretária regional da Saúde e
Solidariedade Social não se quis pronunciar sobre o teor da proposta da
Chega, mas admitiu que há um elevado número de baixas médicas entre os
beneficiários do RSI que é necessário fiscalizar.“Poderemos
estar perante um número excessivo de baixas, sendo que algumas poderão
corresponder a baixas fraudulentas”, referiu Mónica Seidi, insistindo,
no entanto, que “não compete ao Governo”, mas sim à Inspeção Regional da Saúde, averiguar essas situações.A
secretária regional da Juventude, Emprego e Formação Profissional, Maria
João Carreiro, foi também ouvida na Comissão de Assuntos Sociais a
propósito da proposta do Chega e lembrou que tem havido um aumento do
número de beneficiários que deixa de receber apoios por ter integrado o
mercado de trabalho.“Em 2021 tínhamos
apenas 215 comunicações e em 2023 nós terminámos o ano com 448
comunicações, por parte dos beneficiários, de que eles próprios tinham
ingressado no mercado de trabalho”, realçou a governante.
O Governo dos Açores prevê que sejam gastos este ano cerca de 12 milhões
de euros com o Rendimento Social de Inserção (pago pelo Governo da
República).