Número de Andorinhas em Portugal caiu 40% em 20 anos
7 de mai. de 2024, 15:32
— Lusa
Em comunicado, a SPEA afirma que, se nada mudar em breve, é preciso encontrar outro símbolo para a chegada da primavera. E diz que também o cuco, o picanço-barreteiro e a rola-brava estão em declínio em Portugal, Espanha e na Europa em geral.Os
dados fazem parte do “Censo das Aves Comuns”, publicado hoje, que
avaliou as tendências populacionais de 64 aves comuns em Portugal
continental para o período 2004-2023. É feita também a comparação com o
que se passa em Espanha e na Europa, quanto às mesmas aves.“Em
plena crise da biodiversidade, termos acesso a informação atualizada
sobre o estado das nossas espécies de aves comuns é uma enorme
mais-valia,” diz, citado no comunicado, Hany Alonso, técnico da SPEA e
coordenador do Censo de Aves Comuns.E
acrescenta: “Ao olharmos para as aves comuns podemos compreender melhor o
que se passa em nosso redor. Estas espécies vão ser as primeiras a
dar-nos indicação de que alguma coisa não está bem”.Segundo
a SPEA, aves migradoras como as andorinhas têm sido afetadas pelas
alterações climáticas, seja nos sinais que usam para iniciar a migração
seja quanto à abundância de insetos para alimentar as crias.A
SPEA nota que, além das aves migradoras, também aves comuns nos meios
agrícolas, como o pardal, o peneireiro e a milheirinha, estão em
declínio nos últimos 20 anos, devido à “intensificação das práticas
agrícolas”, que têm vindo a artificializar os campos, destruindo “os
mosaicos tradicionais que permitiam que a biodiversidade florescesse”. É
preciso, acrescenta a SPEA, restaurar a natureza, implementar políticas
que promovam práticas agrícolas sustentáveis, e fazer mudanças no
ordenamento do território, no desenvolvimento energético, e nas
avaliações de impacto.