Novos surtos em Espanha, Reino Unido e França preocupam Europa
Covid-19
24 de jul. de 2020, 17:07
— Lusa/AO Online
Além destes três
países, dos mais afetados pela pandemia de covid-19 na Europa, outros
registam novos surtos ou novas cadeias de contágio do novo coronavírus,
embora com menor expressão.ESPANHAO
número de novos contágios nos últimos dias é sete vezes superior ao
registado quando, há um mês, foi levantado o estado de emergência e
foram retomadas a circulação, as relações sociais e a atividade
económica.A 21 de junho, quando terminou o estado de emergência, Espanha contava 141 novos casos em 24 horas.Desde
então, foram registados 369 surtos, em todas as comunidades autónomas
do país, mas com especial gravidade em Aragão e Barcelona (nordeste).Nesta
quinta-feira, foram registados 971 novos casos, com 281 surtos ativos
por todo o país envolvendo 3.200 novos casos de infeção.FRANÇAFrança
regista nas últimas semanas um aumento de casos de infeção que levou as
autoridades a emitir alertas à população para a necessidade de manter
as regras de higiene e segurança que contribuem para limitar os
contágios.No mais recente boletim,
publicado na quinta-feira, França contabilizava 1.062 novos casos em 24
horas e indicava que, em relação à semana passada, houve um aumento de
27% de testes positivos à covid-19.Desde o
início do desconfinamento, em maio, foram identificados 570 focos de
contágio, 10 deles entre estas quarta e quinta-feira, embora apenas 120
se mantenham ativos, com 450 focos considerados resolvidos.REINO UNIDOO
Reino Unido é o país da Europa até agora com mais mortes associadas à
covid-19 e o terceiro em todo o mundo, com 45.554 mortos, em quase
300.000 casos confirmados.O surto mais
grave em atividade registou-se no princípio do mês na cidade de
Leicester, que durante uma semana foi responsável por 10% de todos os
casos em Inglaterra.As autoridades decretaram o encerramento das escolas e dos estabelecimentos comerciais não essenciais por 15 dias.Com
o número de mortes a manter-se elevado no país, o Governo britânico
adotou novas medidas para travar a propagação do vírus, como o isso
obrigatório de máscara, a partir de hoje, nas lojas, supermercados,
bancos e estações de correio.ROMÉNIA A Roménia regista um forte aumento de casos, com um recorde diário de 1.112 novas infeções atingido na quinta-feira.Segundo
o último balanço oficial, 25 pessoas morreram entre quarta e
quinta-feira, num país que regista um total de mortes desde março de
2.126.Os contágios começaram a aumentar no
princípio de junho, depois de uma queda acentuada em maio, evolução que
as autoridades atribuem ao menor cuidado da população em manter regras
de proteção após o levantamento do estado de emergência e do
confinamento, a 15 de maio.ALEMANHAA
Alemanha registou há duas semanas o surto mais grave, com cerca de
1.800 novos casos entre trabalhadores de um matadouro, surto já
considerado controlado. Nas últimas 24 horas foram notificados 815 novos casos, um número moderado para um país com 83 milhões de habitantes.As
autoridades manifestaram contudo preocupação com os casos registados em
pessoas provenientes do estrangeiro, nomeadamente de Espanha.BÉLGICAA
Bélgica decidiu não avançar para as etapas seguintes de desconfinamento
devido a um aumento de novos casos, traduzido, segundo números de hoje,
numa média diária de 220 novos casos nos últimos sete dias.O
aumento de casos foi detetado em meados de julho em comunidades
localizadas, mas estende-se atualmente ao conjunto da população belga.As
autoridades decidiram não voltar atrás nas medidas de alívio das
restrições já em vigor, mas endureceu algumas, como o uso obrigatório de
máscara, até agora em vigor apenas nos espaços fechados e doravante
estendido às ruas comerciais mais frequentadas.ITÁLIAEm
Bolonha (norte) foi identificado na quinta-feira um novo surto numa
residência para idosos com 21 pessoas infetadas e, no mesmo dia, um
surto em Molise (centro), onde sete venezuelanos da mesma família
testaram positivo.As autoridades
italianas, país que nos primeiros meses da pandemia na Europa foi o mais
afetado e contava até quinta-feira 35.092 mortos e mais de 245 mil
casos, estão também atentas à ilha de Capri (sul), seguindo os contactos
de três turistas de Roma que visitaram a ilha no fim de semana e
testaram positivo.Em Roma as autoridades
estão a realizar testes entre a comunidade natural do Bangladesh, entre a
qual no princípio do mês foram detetados 39 casos. HOLANDASegundo
os números oficiais mais recentes, entre 15 e 21 de julho foram
notificados 987 novos casos de infeção, quase o dobro da semana
anterior.Entre 4 e 7 de julho, o número de
novos casos subiu 0,29% e entre 16 e 19 de julho, 0,72%, o que sugere
uma nova tendência de aumento de casos.Desde
1 de junho, todas as pessoas com sintomas ligeiros podem fazer um
teste, mas as autoridades admitem que ainda assim os números reais de
infeções sejam superiores aos testes positivos.GRÉCIAA
Grécia regista um aumento ligeiro, mas constante, do número de novos
casos, num país que foi dos menos afetados pela pandemia, com 4.100
casos e 201 mortes.Na última semana houve
uma média diária de 25 novos casos, quase um terço (27,8%) dos quais
relacionados com viagens de ou para o estrangeiro.A
Grécia retomou as ligações aéreas com 29 países a 15 de junho, lista
que alargou a mais 46 países a 1 de julho, e ao Reino Unido a 15 de
julho, prevendo no final do mês abrir também os seus aeroportos aos voos
dos Estados Unidos, o país do mundo com mais casos e mais mortes
associados ao novo coronavírus.Dos 46.893
testes realizados a passageiros à chegada à Grécia na última semana,
apenas 0,2% tiveram resultado positivo, segundo números oficiais.ÁUSTRIA A
Áustria reintroduziu, a partir de hoje, o uso obrigatório de máscara
nos estabelecimentos comerciais, 39 dias depois de ter limitado a medida
aos transportes públicos, hospitais e clínicas, em face da descida dos
contágios.Na quinta-feira, o país
registava 170 novos casos, o número mais elevado desde meados de abril,
depois em de maio e junho os novos casos diários se terem mantido abaixo
dos 50.REPÚBLICA CHECAAs
autoridades checas registaram na quinta-feira 235 novos casos, o número
diário mais alto desde junho, depois de vários dias seguidos com 200
novos contágios em média.Face aos números,
o Governo decidiu reintroduzir restrições, entre as quais o uso de
máscara em espaços fechados com mais de 100 pessoas ou a limitação de
concentrações a 500 pessoas (até agora 1.000).POLÓNIAA
Polónia registou hoje 458 novos positivos, o número mais alto desde 17
de junho e o segundo consecutivo acima dos 400 novos casos, segundo o
Ministério da Saúde.A maioria dos casos
regista-se nas províncias da Silésia e da Pequena Polónia, no sul do
país. Na Silésia, onde foram detetados 184 dos casos das últimas 24
horas, as autoridades admitem “bastantes” novas infeções nos próximos
dias. O Governo afasta contudo a
possibilidade de reintroduzir restrições, frisando a necessidade de
maior respeito por regras como o uso de máscara, distanciamento físico e
lavagem das mãos.PORTUGAL Portugal
registava na segunda-feira 206 surtos ativos, sendo a preocupação maior
na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde se concentram a maioria desses
surtos (quase 65%).Em dezanove freguesias
da região vigora o estado de calamidade, com dever de recolhimento em
casa e, nas restantes, foram impostas medidas como o encerramento da
maioria dos estabelecimentos às 20:00 e a proibição da venda de álcool
após essa hora.O ritmo de contágios no
conjunto do território de Portugal tem descido, com os últimos cinco
dias consecutivos a registarem menos de 300 novas infeções por dia, o
que não ocorria desde maio, quando houve 19 dias consecutivos com menos
de 200 casos diários.