Novos protestos contra lei das pensões em França antes de decisão sobre constitucionalidade
13 de abr. de 2023, 17:56
— Lusa
Após quase três meses de
protestos – a jornada de hoje é a 12.ª convocada pelos sindicatos - as
autoridades esperam entre 400.000 e 600.000 manifestantes, contra os
570.000 registados em 06 de abril e os 740.000 em 28 de março.A
influente Confederação Geral do Trabalho (CGT) já avançou que estarão
400 mil manifestantes em Paris, mas ainda são aguardados os números do
Ministério do Interior, que normalmente refletem alguma discrepância com
os dados avançados pelas organizações sindicais.Como ocorreu em jornadas anteriores, foram registados confrontos com a polícia em algumas cidades francesas.Em
Nantes (oeste), onde entre 10 mil a 25 mil pessoas estarão nas ruas
(segundo os dados fornecidos pela polícia e pelos sindicatos,
respetivamente), os manifestantes atiraram projéteis contra a polícia,
que responderam com granadas de gás lacrimogéneo, de acordo com o relato
das agências internacionais.Em Paris, os
manifestantes invadiram por breves momentos a sede do grupo francês de
marcas de luxo LVMH, no reconhecido bairro dos Champs-Elysées. No
interior, os manifestantes lançaram engenhos de fumo e entoaram fortes
assobios.O edifício do Conselho
Constitucional, que fica no Palais Royal, em pleno centro da capital
francesa, foi colocado sob forte vigilância. Hoje de manhã, uma
tentativa de bloquear o edifício com contentores e bombas de fumo
resultou em quatro detenções.O prefeito da
polícia de Paris emitiu entretanto uma ordem a proibir todas as
manifestações nas proximidades da instituição, a partir de hoje à tarde
até ao início da manhã de sábado.O
Conselho Constitucional francês (um conselho de sábios, o equivalente ao
Tribunal Constitucional português) deverá pronunciar-se na sexta-feira
sobre a constitucionalidade da nova lei das pensões, aprovada com
recurso a uma disposição constitucional e sem votação no parlamento.Entre
os vários cenários possíveis, o conselho poderá validar ou rejeitar,
parcial ou totalmente, a nova lei das aposentações que prevê, entre
outros aspetos, o aumento dos 62 para os 64 anos a idade de reforma sem
penalizações financeiras em França.