Novos casos de cancro em Portugal correspondem a dois terços dos nascimentos anuais
3 de fev. de 2023, 12:15
— Lusa/AO Online
Rui
Portugal defendeu também ser essencial garantir uma rede de prestação
de cuidados que garanta a equidade no acesso e a disponibilidade de
equipas diferenciadas em todo o país na área do cancro.Na
abertura da cerimónia da comemoração do Dia Mundial de Luta Contra o
Cancro, promovida pela Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa
Nacional para as Doenças Oncológicas, que está a decorrer no Infarmed
(Lisboa), Rui Portugal disse que as estimativas apontam para o
surgimento de cerca de 60.000 novos casos de doença oncológica
anualmente, o que corresponde à dimensão da população dos concelhos de
Portimão ou da Figueira da Foz.Por outro
lado, observou, nascem em Portugal cerca de 90.000 crianças, o que quer
dizer que o número de novos casos de cancro corresponde a cerca de dois
terços dos nascimentos todos os anos no país.“A
maior esperança de vida dos portugueses, a exposição a carcinogéneos e
os estilos de vida menos saudáveis justificam o aumento progressivo do
número de novos casos”, disse Rui Portugal, defendendo que “conhecer,
vigiar e intervir na doença oncológica é uma prioridade em saúde em
Portugal”.O subdiretor-geral da Saúde
salientou ainda que as doenças oncológicas são a principal causa de
morte prematura em Portugal e são responsáveis por mais 100.000 anos de
vida potencialmente perdidos.“Registam-se
todos os anos cerca de 28.000 mortes, que é o equivalente [à população]
do concelho de Santiago do Cacém, Anadia ou Tavira”, elucidou,
comentando que eram como desaparecessem todos os anos.Segundo
Rui Portugal, os anos de vida potencialmente perdidos por cancro são
oito vezes mais do que os atribuídos à infeção por VIH e uma vez e meia
mais do que os atribuídos por doenças cardiovasculares.“Naturalmente, estes números, estas informações têm que preocupar a sociedade portuguesa e as autoridades de saúde”, salientou.Por
outro lado, acrescentou: “Temos de ter orgulho” nas taxas de
sobrevivência a cinco anos relativamente à doença oncológica da
próstata, da mama, do cancro cervical e mesmo colo do útero que “foram
melhores do que a média da União Europeia nos últimos relatórios”.Rui
Portugal referiu ainda as preocupações que existem relativamente às
“desigualdades existentes na sociedade, quer por determinantes
geográficos quer por determinantes próprios das pessoas, famílias e
comunidades que têm que ser naturalmente vigiadas”.“Se
a exposição em situações de ambiente de trabalho pode e deve ter
intervenção decisiva e rápida, outras requerem maior conhecimento e têm
maior dificuldade em produzir resultados e melhorias em ganhos em
saúde”, disse, defendendo que as principais políticas de saúde pública
para controlo da doença oncológica deverão centrar-se nos seus
determinantes como o tabaco, o consumo do álcool, obesidade.Segundo Rui Portugal, é igualmente necessário promover hábitos alimentares e atividade física em todas as faixas etárias.