Novo surto hemorrágico no coelho-bravo leva Governo a suspender a caça em São Miguel
28 de dez. de 2017, 16:08
— Miguel Bettencourt Mota
A
decisão partiu do próprio Governo Regional que, numa nota de imprensa, justifica que a interdição da caça e da circulação de cães de caça visa
“minimizar a disseminação da doença, até que seja determinado o fim do
surto e os seus efeitos na população do coelho bravo local (Oryctolagus cuniculus L.) sejam devidamente avaliados”.
O
vírus, aprofunda a mesma nota, transmite-se por contacto direto entre coelhos doentes, contato
com material orgânico proveniente de coelhos doentes ou através de
vetores vivos e de objetos contaminados, podendo os caçadores e os cães
de caça funcionar como um meio de disseminação da doença.
O executivo açoriano, através da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, informa ainda que a
salvaguarda das culturas agrícolas, em situações pontuais e localizadas,
será sempre possível com o recurso à correção da densidade populacional
do coelho-bravo.
No
final de novembro decorreu na ilha de São Miguel uma nova recolha de
amostras de coelho-bravo para dar continuidade ao estudo sobre a
evolução da Doença Hemorrágica Viral (DHV2) nos Açores, implementada
pela Direção Regional dos Recursos Florestais, com a colaboração do
Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da
Universidade do Porto (CIBIO-UP), que ocorre desde 2015.
A
nova variante do vírus da Doença Hemorrágica Viral, identificada em
França em 2010 e que em 2012/13 desencadeou um surto no continente
português, com uma elevada taxa de mortalidade, chegou aos Açores em
novembro de 2014, tendo sido a Graciosa a primeira ilha a ser afetada.