Novo prolongamento das licenças de ‘handling’ vai desestabilizar aeroportos no verão
Hoje 15:23
— Lusa/AO Online
“Num
país cuja economia assenta no turismo, estão a criar as condições para
uma tempestade perfeita que irá desestabilizar os aeroportos portugueses
durante muitos meses”, sustenta o sindicato em comunicado, garantindo
que “a forma desrespeitosa como os trabalhadores do ‘handling’ têm sido
tratados em todo este processo não deixará de ter resposta no devido
momento”.O Sitava reagia ao anúncio feito
na terça-feira pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo
Espírito Santo, de que o Governo vai voltar a prolongar as licenças de
‘handling’ atualmente detidas pela Menzies, que deviam terminar em 19 de
maio, para garantir a continuidade do serviço enquanto decorre o
processo concursal e o contencioso judicial relacionado com a nova
adjudicação.Para o sindicato, embora
“resolver a questão do verão” tenha sido “a expressão utilizada pelo
Governo para justificar o prolongamento das licenças”, esse
prolongamento “vai provocar é instabilidade e ansiedade nos aeroportos
precisamente num momento delicado da operação, como é o verão”.“Ora, essa provável instabilidade e disrupção na operação de verão não parece preocupar o Governo”, nota.Assumindo-se
“claramente contra prolongamentos de licenças, desde a primeira hora”, o
Sitava lembra que “a decisão administrativa de atribuição das licenças
de ‘handling’ tem impacto direto e relevante sobre os interesses
coletivos e laborais dos trabalhadores representados, nomeadamente
quanto à manutenção dos postos de trabalho, continuidade de vínculos
contratuais, aplicação de convenções coletivas de trabalho e
estabilidade das condições laborais”.Isto
porque, “na ata n.º 7, constante no procedimento concursal, resulta
claro que a ANAC [Autoridade Nacional de Aviação Civil] comunicou aos
concorrentes que ‘não há transmissão de atividade’, ‘não há transmissão
de trabalhadores’, bem como ‘não é aplicável o acordo de empresa do
prestador anterior (SPdH)’”.“É
absolutamente inacreditável e inaceitável que os trabalhadores da SPdH
[Menzies] continuem com as suas vidas indefinidas, em resultado de um
concurso altamente questionável, desde logo por não salvaguardar os
direitos dos trabalhadores, mas também pelas inúmeras incongruências”,
sustenta a estrutura sindical.O Sitava
questiona o Governo e a ANAC sobre “o recrutamento feito em Espanha pelo
consórcio vencedor, bem como sobre a falta de diálogo e de compromisso
desse mesmo consórcio”.“Será que se
pretendem substituir trabalhadores efetivos e com experiência por
trabalhadores talvez trazidos de outras geografias? Como é possível que
tal aconteça num país dito desenvolvido? Como é possível Governo e ANAC
terem criado as condições para estarmos hoje confrontados com uma
situação digna de um país de terceiro mundo?”, interroga.Na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, o
secretário de Estado das Infraestruturas explicou que, face à
providência cautelar apresentada pela Menzies e aos prazos legais para o
regulador responder, vão estender novamente as licenças que estavam
previstas expirar em 19 de maio de 2026, evitando disrupções
operacionais durante a época alta de verão.Hugo Espírito Santo lembrou que "as licenças não são perpétuas, têm um prazo".A
ANAC tem até 4 de maio para se pronunciar sobre a providência cautelar
apresentada pela antiga Groundforce, que contesta a adjudicação das
novas licenças de ‘handling’.No início do
ano, o regulador atribuiu ao consórcio Clece/South a licença para a
prestação de serviços de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa,
Porto e Faro por sete anos, superando a proposta da SPdH. O consórcio
reúne a espanhola Clece e a empresa de ‘handling’ do grupo dono da
Ibéria.