Novo Presidente pode apenas ser conhecido em 20 de janeiro
EUA/Eleições
2 de nov. de 2020, 12:16
— Lusa/AO Online
No
meio de uma pandemia, com o Presidente a ameaçar contestar os
resultados, com dezenas de milhões de pessoas a votar antecipadamente
(por correio e presencialmente) e com as sondagens a antever diferenças
mínimas de vantagem em alguns Estados nenhum analista arrisca dizer
quando se saberá quem vai ser o próximo Presidente dos Estados Unidos.Por
outro lado, nos Estados Unidos não há uma lei eleitoral nacional: cada
Estado tem regras próprias e define os seus próprios cronogramas, seja
para aceitar votos por correspondência e/ou antecipados, seja para
definir os momentos da sua contagem ou para estabelecer formas de
resolver casos de contestação.O processo
pode passar pelo Supremo Tribunal e acabar no Congresso onde, segundo a
Constituição, deverá ser escolhido um Presidente, que tem de tomar posse
em 20 de janeiro, nem que seja interinamente, que, em situação extrema,
pode ser o/a líder da maioria da Câmara de Representantes ou, seguinte
na linha de sucessão, o/a presidente ‘pro tempore’ do Senado.Há
vários meses que o Presidente Donald Trump lança suspeitas sobre a
legitimidade do resultado final das eleições, alegando não ter confiança
nos votos por correspondência, que este ano foram em muito maior
número, por causa, entre outras razões, da pandemia de covid-19.O
Presidente e candidato republicano tem mesmo usado a expressão “fraude
eleitoral”, pedindo aos seus apoiantes para estarem “muito atentos” ao
processamento das votações e das contagens de votos, admitindo mesmo
recorrer aos tribunais para esclarecer eventuais dúvidas.Perante
este cenário, ambas as candidaturas, republicana e a do democrata Joe
Biden, criaram painéis de juristas para analisar e contrariar queixas
que possam surgir no momento de avaliação final das eleições,
antecipando um cenário de litígio nos tribunais.Nas
últimas semanas, várias dezenas de milhões de pessoas votaram por
correio e começa aqui a primeira dificuldade para adivinhar a data em
que serão conhecidos os resultados das eleições presidenciais.A
contagem de cada voto por correspondência implica mecanismos complexos,
alguns deles desenvolvidos manualmente, e diversos Estados apenas
iniciam a contagem a partir da terça-feira eleitoral (como é o caso de
Pensilvânia, Michigan e Wisconsin).O
processo começa com a verificação do envelope que contém o voto, que tem
uma barra de código que procura garantir que o mesmo eleitor não vota
mais do que uma vez, a que se segue, em alguns Estados, o momento de
verificação de que a assinatura corresponde aos registos.Os
boletins de voto são então enviados para ‘scanners’ que leem o conteúdo
da decisão do eleitor, mas qualquer leitura deficiente devolve o
documento para análise humana, antes de a contagem ser declarada
oficial.Em Estados cruciais para esta
eleição presidencial de 2020, como Pensilvânia e Michigan, as
autoridades já avisaram que este processo pode demorar vários dias, sem
quererem comprometer-se com uma data.Além
disso, este processo pode ser contaminado pela contestação das regras de
prazos de recebimento dos votos por correspondência, como está a
acontecer na Pensilvânia e na Carolina do Norte, onde, na passada
semana, o Supremo Tribunal permitiu que as comissões eleitorais ainda
aceitem votos por correio que apenas cheguem vários dias após a data das
eleições.Os republicanos tinham
contestado este apelo dos democratas, alegando que os atrasos eram da
responsabilidade dos eleitores, pelo que as comissões eleitorais não
deveriam ter de aguardar pela chegada de boletins com datas posteriores a
terça-feira dia 03 de novembro.