Novo presidente da SATA quer acabar com "má gestão"
6 de jul. de 2024, 08:00
— Lusa
Para
Rui Coutinho, “foram cometidos demasiados erros por diversos
responsáveis, cujos efeitos influenciam a prestação atual" e
"continuarão a condicionar todas as decisões e toda a gestão diária e
estratégica do grupo”.O gestor foi hoje
ouvido na Comissão da Economia da Assembleia Legislativa Regional dos
Açores, reunida em Ponta Delgada, após a sua indigitação pelo Governo
dos Açores para presidente do conselho de administração da SATA Holding,
S.A..“Houve muita má gestão durante muitos anos na SATA”, frisou, acrescentando que quer "salvar a SATA". O
presidente recém-indigitado admitiu que “o caminho será difícil, por
vezes tortuoso”, pois “todas as empresas do grupo estão tecnicamente
falidas há muitos anos” – o grupo, acrescentou, “apresenta uma situação
económica e de tesouraria extremamente delicada, com dificuldades
imediatas e a prazo”.Rui Coutinho afirmou
que a companhia pública açoriana “tem uma estrutura muito pesada”, de
acordo com o seu organigrama, com “diretores para muita coisa”, e
propôs-se a “ver quais as rotas que são deficitárias e eliminar, para
redução de custos”. “Não há tempo para
gastar dinheiro com rotas deficitárias”, declarou, indicando que
pretende também reduzir os voos no designado regime ACMI (aluguer de
aviões e tripulações) “ao mínimo indispensável”.O
novo representante quer “ganhar eficiências e maximizar os recursos
humanos e materiais na companhia”, o que “neste momento não é feito”,
bem como promover vendas a bordo, cobrar por bagagem adicional e
encerrar lojas, transitando o pessoal para os aeroportos, para apoiar os
passageiros.O gestor não quer "mais ‘Cachalotes’ ou aviões daquela dimensão”, recusando ’leasings’ de aeronaves "extremamente caras”.O
aluguer do avião Airbus A330 para integrar a frota da SATA em 2016
motivou buscas realizadas em 18 de junho pela Polícia Judiciária (PJ)
nas instalações da companhia aérea, conforme revelou à agência Lusa
fonte da empresa no mês passado.O contrato
de ‘leasing’ custou à SATA mais de 40 milhões de euros, tendo o
aparelho ficado parado durante dois anos, devido aos elevados custos de
manutenção, segundo um ofício do Governo dos Açores revelado em março de
2021.Rui Coutinho afirmou que as novas
rotas “têm que ser muito bem fundamentadas” e quer aumentar os voos
'charters' no período de inverno, “como forma de reduzir e diluir os
custos fixos que a empresa tem”. No quadro
da salvaguarda da empresa, o gestor defende um aumento do tarifário “em
função da inflação, como consta das obrigações de serviço público”. “Não se pode estar com valores de 2015”, sublinhou. No
âmbito de privatização da Azores Airlines (responsável pelas ligações
de e para fora do arquipélago, integrada no Grupo SATA), há que
“melhorar os rácios e indicadores”, que “estão bastante desfasados do
que era o plano de reestruturação aprovado por Bruxelas”. A
Azores Airlines obteve um prejuízo de 25,6 milhões de euros no primeiro
trimestre deste ano, face a 22,7 milhões negativos do período homólogo,
enquanto a SATA Air Açores (responsável pelas ligações entre as ilhas)
melhorou as perdas para 4,7 milhões de euros.Em
02 de maio, o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) cancelou o concurso
de privatização da companhia aérea Azores Airlines, anunciando a
intenção de lançar um novo procedimento.O executivo alegou que a companhia estava avaliada em seis milhões de euros no início do processo e vale agora 20 milhões.Em
junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa
para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de
euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).