Novo PM francês promete “mudanças profundas” para tirar a França da crise
10 de set. de 2025, 17:56
— Lusa/AO Online
“Devemos
conseguir pôr fim a esta dupla fratura: a fratura entre a situação
política e a fratura com o que os nossos concidadãos legitimamente
esperam na sua vida quotidiana”, disse Lecornu num breve discurso após a
cerimónia de transição, num dia marcado por protestos sociais em várias
cidades francesas.Depois de elogiar a
“extraordinária coragem” do seu antecessor, o centrista François Bayrou,
destituído na segunda-feira pelo chumbo de uma moção de confiança
parlamentar, Lecornu prometeu ser “mais criativo” e “mais sério na forma
de trabalhar com a oposição”.Além disso, o
novo chefe de Governo, nomeado na noite de terça-feira pelo Presidente
francês, Emmanuel Macron, garantiu que receberá as forças políticas “nos
próximos dias” e que “não há caminhos impossíveis”, apesar de a
coligação governamental cessante ter perdido a maioria na Assembleia
Nacional.O anterior ministro da Defesa
macronista e antigo membro do partido de centro-direita Os Republicanos
(LR), de 39 anos, que fez parte de todas as equipas governamentais desde
junho de 2017, prometeu ainda “romper com o passado” e “ser mais sério
na forma de trabalhar com a oposição”.“Esta
tarde, reunir-me-ei com as principais forças políticas e, nos próximos
dias, com as demais forças políticas e sindicais, e terei a oportunidade
de me dirigir em breve ao povo francês”, concluiu no seu breve
discurso, que contou também com a presença de alguns ministros do
Governo cessante.Já Bayrou, de saída do
Matignon, assegurou que pretende “ajudar o Governo” que será formado
pelo novo primeiro-ministro, neste “momento tão difícil”, “muito
exigente e perigoso” para a França.Para
existir, o futuro Governo francês deverá obter pelo menos um voto de não
censura do Partido Socialista, algo indispensável para adotar um
orçamento para 2026, cuja preparação acabou de derrubar a equipa
cessante, que tinha apresentado um plano de cortes de quase 44 mil
milhões de euros.Lecornu é o quarto
primeiro-ministro que o Presidente francês, Emmanuel Macron, nomeia
em apenas 12 meses, depois de Gabriel Attal (2024), Michel Barnier
(2024) e Bayrou (2024-2025), assumindo as funções num dia marcado por
protestos nacionais promovidos pelo movimento social “Bloqueiem Tudo!” e
a nove dias de outro dia de greves e paralisações, organizado pelos
sindicatos e apoiado pelos partidos de esquerda.Mais
de 200 pessoas foram detidas na França hoje em operações das forças da
ordem para impedir os bloqueios registados, principalmente em
autoestradas e infraestruturas de transporte, num dia em que estava
previsto um bloqueio total convocado contra as medidas do Governo.