Novo pacote de sanções vai abranger entidades iranianas
Ucrânia/1 ano
15 de fev. de 2023, 10:31
— Lusa/AO Online
iscursando
perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, num debate sobre
“o primeiro aniversário da invasão e da guerra de agressão” da Rússia na
Ucrânia, que se assinala a 24 de fevereiro, Ursula von der Leyen disse
que a União Europeia vai continuar a “enfraquecer a capacidade da Rússia
para manter a sua máquina de guerra”, e revelou algumas das sanções
previstas no décimo pacote, atualmente a ser discutido com os
Estados-membros.O novo pacote, que terá um
impacto global na ordem dos 11 mil milhões de euros, revelou, incluirá
“novas proibições comerciais e novos controlos de exportação de
tecnologia para a Rússia”, designadamente “restrições à exportação de
múltiplos componentes eletrónicos utilizados nos sistemas armados russos
- tais como drones, mísseis, helicópteros”. “Mas
há também centenas de drones iranianos utilizados pela Rússia nos
campos de batalha na Ucrânia. Estes drones de fabrico iraniano matam
civis ucranianos, e isto é atroz. Assim, pela primeira vez, propomos
também sancionar entidades iranianas, incluindo as ligadas à Guarda
Revolucionária Iraniana. É nosso dever sancioná-los e confrontar o Irão
sobre o fornecimento de drones e a transferência de ‘know-how’ para a
construção de locais de produção na Rússia”, declarou.Fazendo
o balanço da resposta da União a quase um ano de conflito, Von der
Leyen comentou que o Presidente russo, Vladimir Putin, “assumiu que o
apoio da UE à Ucrânia não iria durar”, pois julgou que “seria fácil
manter a Europa como refém, devido à dependência do petróleo e do gás
russos”, observando que “também aí estava errado”. “Hoje,
um ano após o início da guerra, ele já perdeu a guerra energética que
iniciou. Reposicionámo-nos, graças a parceiros de confiança, e os
resultados podem ser vistos. O rendimento da Rússia com a venda de gás à
Europa diminuiu em dois terços. O limite do preço do petróleo significa
que a Rússia está a perder 160 milhões de euros em receitas todos os
dias. Os preços do gás na Europa são hoje mais baixos do que antes da
invasão da Ucrânia pela Rússia, e a Europa está agora a investir em
energias limpas e na independência energética como nunca antes”,
apontou. “Com a unidade europeia e uma
política energética inteligente, temos resistido à pressão russa e
libertamo-nos da nossa dependência energética. A nossa economia hoje tem
um desempenho significativamente melhor do que o previsto e, no início
da semana, conseguimos rever em alta as nossas previsões de crescimento.
Pelo contrário, o Kremlin está a ter de vender reservas de ouro para
colmatar as lacunas deixadas pela falta de receitas petrolíferas. A
tentativa de Putin de chantagear a Europa utilizando energia tem sido um
fracasso em toda a linha”, complementou.Recordando
a noite de 24 de fevereiro de 2022, quando o mundo assistiu incrédulo à
entrada dos tanques russos em território ucraniano e ao regresso da
guerra à Europa, Von der Leyen elogiou por diversas vezes “a bravura da
nação ucraniana” e destacou o apoio dado pela UE a Kiev desde os
primeiros instantes do conflito, e que se mantém, passado praticamente
um ano. “Que diferença pode fazer um ano
de unidade e determinação. Na madrugada de 24 de fevereiro, quando os
tanques russos rolaram para a Ucrânia, todo um continente susteve a
respiração. Alguns previam que a Ucrânia iria cair em questão de dias.
Mas em vez disso, a bravura lendária do povo ucraniano espantou o
mundo”, disse. “Nunca poderemos igualar o
sacrifício e a bravura do povo ucraniano. Mas podemos estar firmemente
ao seu lado. E foi isso que fizemos. Todo um continente se mobilizou”,
disse, passando em revista todos os apoios dados pela União à Ucrânia
aos mais diversos níveis, e que, no seu conjunto, ascendem já a 67 mil
milhões de euros.Abordando também as
ambições europeias da Ucrânia, país ao qual a UE atribuiu o estatuto de
candidato à adesão em junho do ano passado, Ursula von der Leyen realçou
o facto de os ucranianos estarem a conseguir “fazer progressos
tangíveis todos os dias, enquanto travam uma guerra”.“Eles
sabem que a adesão à nossa União é um processo baseado nos méritos.
Aprovaram reformas legislativas que outros pensavam que levariam anos.
Estão a fazer este progresso porque estão a lutar pela Europa com todo o
seu coração e alma. A Ucrânia é uma nação definida não só pela sua
história e herança. É uma nação definida pelos seus sonhos. E a Europa é
um desses sonhos. Honremos estes sonhos, defendendo a Ucrânia pelo
tempo que for preciso. Para que, um dia, os representantes do povo
ucraniano tenham também o seu lugar nesta mesma casa”, disse, terminando
assim a sua intervenção perante o Parlamento Europeu.