Novo método capaz de medir impulsos laser pode ser útil no tratamento do cancro
25 de ago. de 2020, 09:33
— Lusa/AO Online
Em comunicado, a FCUP avança que o estudo,
publicado na revista Optica, da The Optical Society, tem por base um
método que “pela primeira vez” mede os impulsos produzidos pelos “lasers
mais avançados da atualidade”.Citado no
documento, Helder Crespo, investigador da FCUP e primeiro autor do
artigo, afirma que esta nova técnica permite medir os impulsos laser
“onde ocorrem processos extremos muito importantes”, como as reações
nucleares produzidas diretamente pela luz.“Funciona
como uma espécie de lupa para vermos fenómenos extremos, permitindo-nos
tocar no fogo sem nos queimarmos”, refere o investigador, acrescentando
que o novo método permite também “conhecer e otimizar os impulsos
direta e indiretamente e exatamente na zona onde estão a incidir”.De
acordo com a FCUP, este novo método pode ser útil no tratamento do
cancro, uma vez que estes lasers ultra intensos são capazes de “acelerar
protões e de produzir isótopos radioativos” aplicados em terapias de
combate à doença.“Com esta nova técnica
será possível tirar o melhor proveito destes lasers que têm múltiplas
aplicações em áreas que vão desde a biologia à química, podendo até
mesmo, no caso particular do cancro, vir a revolucionar o tratamento
desta doença”, assegura a instituição.Helder
Crespo, também fundador da 'spin-off' Sphere Ultrafast Photonics da
FCUP, salienta ainda que este método, intitulado THIS d-scan permitirá
“validar teorias muito recentes sobre a interação laser-matéria”.Esta
técnica, assegura o investigador, traz assim “muitas vantagens” quando
comparada às técnicas tradicionais que “apenas conseguem medir uma
replica atenuada do impulso principal numa zona que não a da amostra, o
que introduz erros e não permite capturar todos os efeitos físicos
necessários”.Os investigadores vão agora
usar alguns dos sistemas laser mais intensos do mundo para mostrar a
“versatilidade e capacidade” deste novo método, nomeadamente, a sua
capacidade para detetar e medir as alterações que o impulso sofre no
próprio alvo durante o processo de interação da luz com a matéria.Além
de investigadores da FCUP, o estudo contou também com a participação de
especialistas do Instituto de Física dos Materiais Avançados,
Nanotecnologia e Fotónica da Universidade do Porto, do Max-Born
Institute, na Alemanha e do Imperial College London, no Reino Unido.