Novo Governo francês dá hoje os primeiros passos já debaixo de fogo
23 de set. de 2024, 17:53
— Lusa/AO Online
O primeiro-ministro,
Michel Barnier, prometeu um governo "republicano, progressista e
europeu", perante os seus 39 ministros reunidos para um primeiro
"pequeno-almoço governamental", com a duração de mais de duas horas em
Matignon, a mansão privada que alberga os serviços do chefe do
executivo.Um primeiro Conselho de Ministros teve a presença do Presidente francês, Emmanuel Macron.O
ex-comissário europeu e antigo negociador-chefe do ‘Brexit’ (processo
da saída do Reino Unido da União Europeia) pediu aos seus ministros,
maioritariamente da direita e do movimento liberal de Macron, que
tivessem respeito por “todos os partidos políticos”, quando a sua equipa
já está a sofrer críticas.Preocupados com
a presença no executivo de ministros conservadores, apoiantes de Macron
pediram ao primeiro-ministro nos últimos dias garantias sobre leis
sociais, como o direito ao aborto ou o "casamento para todos" - a lei do
Governo do socialista François Hollande, que permitiu o matrimónio de
casais homossexuais.As “grandes leis” do
“progresso social ou social” serão preservadas, disse no domingo à noite
Barnier, nomeado em 05 de setembro como líder do Governo pelo chefe de
Estado.Na segunda-feira, o novo ministro do Interior, Bruno Retailleau, de direita, anunciou que a sua prioridade será “repor a ordem”.Por
seu lado, o novo chefe da diplomacia francesa, o centrista Jean-Noel
Barrot, afirmou que, “na Ucrânia, no Médio Oriente, no Haiti, na região
dos Grandes Lagos, no Mar da China, defenderá o corpo e alma do direito
internacional ao serviço de uma paz justa”.Embora
a preparação do orçamento para 2025, que já sofreu um atraso sem
precedentes, seja a urgência número um, Barnier prometeu não “aumentar
ainda mais os impostos sobre todos os franceses”.Mas
“os mais ricos devem participar no esforço de solidariedade”, alertou,
sem comentar diretamente o restabelecimento do imposto de solidariedade
sobre a riqueza, exigido pela esquerda.“Uma
grande parte da nossa dívida é emitida nos mercados internacionais
externos, devemos manter a credibilidade da França”, acrescentou. A
França está, tal como vários outros membros da União Europeia, sujeita a
um procedimento de défice excessivo por parte de Bruxelas.Barnier indicou ainda que vai tentar melhorar a muito contestada reforma das pensões, sem fornecer detalhes.Trata-se,
no entanto, de garantias insuficientes para a esquerda, que já indicou
que vai redigir uma moção de censura ao novo executivo.O
texto será apresentado pelos socialistas, que fazem parte da Nova
Frente Popular (NFP) – a coligação que ficou em primeiro lugar nas
eleições legislativas de 30 de junho e 07 de julho, mas sem obter
maioria – após o discurso de política geral de Barnier.O
novo executivo, cuja composição foi revelada no sábado, dá um lugar de
destaque ao partido do Presidente Macron, o Renascimento, e aos
Republicanos, de direita.No entanto, os
dois partidos saíram em claro declínio das eleições legislativas
provocadas pela polémica dissolução da Assembleia Nacional, depois das
últimas eleições europeias.Para ter
sucesso, uma moção de censura tem de recolher os votos da União
Nacional, o partido de extrema-direita de Marine Le Pen, o que de
momento é improvável.