Novo foguetão europeu Ariane 6 será lançado na terça-feira com nanossatélite português a bordo
7 de jul. de 2024, 09:05
— Lusa
O
lançamento, da base espacial europeia em Kourou, na Guiana Francesa,
está previsto para entre as 19:00 e as 23:00 (hora de Lisboa).O
teleporto de Santa Maria, nos Açores, operado pela Thales Edisoft
Portugal, vai ser a primeira estação a fornecer dados do foguetão,
indicou à Lusa a empresa, que "irá contribuir para o estabelecimento de
comunicações durante uma fase crítica da missão". Segundo
a Thales Edisoft Portugal, o lançamento inaugural do Ariane 6 "marca o
regresso da capacidade operacional europeia de acesso ao espaço". A bordo do foguetão seguirá o ISTSat-1, o primeiro nanossatélite concebido por uma instituição universitária portuguesa.O
ISTSat-1 vai servir para testar um novo descodificador de mensagens
enviadas por aviões que permitirá a sua deteção em zonas remotas e
aferir a viabilidade do uso de nanossatélites na receção de sinais sobre
o estado de aeronaves, como velocidade e altitude, para efeitos de
segurança aérea."A equipa do Técnico
estará a receber as informações do satélite na estação-terra do polo de
Oeiras e a verificar, comparando os dados recebidos com dados de
referência, se o satélite cumpre as funções previstas e possui o
desempenho esperado", precisou o IST em esclarecimentos anteriores à
Lusa.O ISTSat-1 vai estar posicionado a
580 quilómetros da Terra, acima da Estação Espacial Internacional, a
"casa" e laboratório dos astronautas, e enviar os primeiros dados até
cerca de um mês depois do início das operações. O nanossatélite, que custou cerca de 270 mil euros, ficará em órbita entre cinco e 15 anos antes de reentrar na atmosfera."É
um projeto multidisciplinar ótimo para ajudar a formar bons
profissionais de engenharia", sublinhou, citado pelo IST, o professor do
Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores Rui Rocha,
que coordenou o trabalho. Junto com o
ISTSat-1 irão outros satélites e equipamentos científicos de
instituições, empresas e agências espaciais estrangeiras.O
Ariane 6, cujo voo inaugural ocorre com um atraso de quatro anos e teve
um custo de 4,5 mil milhões de euros, irá suceder ao Ariane 5, que fez o
seu último voo em julho de 2023.A ESA, da
qual Portugal é Estado-Membro desde 2000, prevê um segundo lançamento,
desta vez comercial, da nova gama de foguetões europeus até ao final do
ano. Para os dois anos seguintes estão programados 14 voos. É
com este foguetão que a ESA pretende enviar em 2026 a sonda espacial
Plato, que irá "fotografar" milhares de estrelas e procurar planetas
semelhantes à Terra. A missão tem participação científica portuguesa, do
Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.