Novo chanceler alemão quer falar com França e Reino Unido sobre “dissuasão nuclear"
7 de mai. de 2025, 17:16
— Lusa/AO Online
Esta discussão “é
vista explicitamente como um complemento ao que já temos com os nossos
parceiros norte-americanos no âmbito da NATO [Organização do Tratado do
Atlântico Norte]”, afirmou Merz, numa conferência de imprensa conjunta
com o Presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris.“Vamos
dar um mandato aos nossos respetivos ministros para iniciarem esta
discussão. Não se trata de nos substituirmos às garantias de segurança
oferecidas pelos Estados Unidos à Europa”, alertou.Em
fevereiro passado, perante a então aparente aproximação entre os
Estados Unidos, de Donald Trump, e a Rússia, de Vladimir Putin, e o
espetro do afastamento norte-americano da Europa, Friedrich Merz tinha
apelado a Paris e Londres, as duas potências nucleares europeias, para
analisarem se a Alemanha poderia “beneficiar da partilha nuclear, pelo
menos da segurança nuclear”.Por seu lado, Macron referiu que reforçar “o pilar europeu da NATO não enfraquece” a Aliança Atlântica.“Pelo
contrário, significa que os europeus assumem uma maior responsabilidade
por si próprios. É perfeitamente natural que todos os assuntos sejam
discutidos, incluindo a dissuasão nuclear, com as nossas próprias
histórias e especificidades”, argumentou o Presidente francês.Desde
a sua criação, a dissuasão nuclear francesa tem sido completamente
independente, com base numa avaliação unipessoal do Presidente da
República de qualquer ameaça aos interesses vitais do país.Durante
o encontro, o primeiro após a tomada de posse de Merz como chanceler
alemão, que aconteceu na terça-feira, os dois líderes discutiram também o
reforço da cooperação em matéria de defesa, numa altura em que Paris e
Berlim aumentam os seus orçamentos militares.“Vamos,
portanto, acelerar os nossos programas franco-alemães e desenvolver
novas capacidades”, nomeadamente com futuros tanques, aviões de combate e
“mísseis de longo alcance”, explicou o chefe de Estado francês.Paris
e Berlim também concordaram em criar um “Conselho Franco-Alemão de
Defesa e Segurança”, que se reunirá “regularmente para dar respostas
operacionais aos desafios estratégicos comuns”, adiantou Macron.Por
último, os dois países decidiram “coordenar” e partilhar as suas
análises estratégicas e lançar um “programa franco-alemão de inovação em
matéria de defesa para permitir as inovações disruptivas necessárias à
guerra do futuro”.