Novo chanceler alemão promete trabalhar por Europa, multilateralismo e progresso
15 de dez. de 2021, 16:39
— Lusa/AO Online
O
futuro e o bem-estar europeu “é uma questão nacional” e “a coesão e a
soberania são as tarefas da Europa”, afirmou o chanceler antes da sessão
plenária do Bundestag (Câmara Baixa).Scholz
defende que, pela sua história e também como principal economia do
centro do continente europeu, a Alemanha tem a responsabilidade de não
ficar à margem do processo.Pelo contrário, prosseguiu, tem de “construir pontes” nos moldes dos seus antecessores.“Para se fazer ouvir e não se tornar um mero brinquedo para potências estrangeiras, a UE tem de estar unida”, sustentou.Scholz
salientou a necessidade de a Europa aumentar a sua capacidade de ação,
para o que deve ser regra a possibilidade de decidir no Conselho por
maioria qualificada em todas as áreas, o que “não significa uma perda,
mas sim uma maior soberania”.O novo
chanceler alemão defendeu ainda uma “cultura política europeia de debate
construtivo”, que vise encontrar “sempre o melhor caminho”, indo “além
dos interesses nacionais, mas sem deixar de respeitar a história e a
diversidade”, tendo ainda a “consciência” daquilo que une os europeus.Scholz
considerou os Estados Unidos como o “parceiro mais importante” da
UE, garantindo que, ao Presidente norte-americano Joe Biden, o une o
convencimento de que as democracias liberais “têm de demonstrar
novamente que podem oferecer melhores e as mais justas respostas” para
os desafios do século XXI.“A amizade
germano-norte-americana e a NATO [Organização do Tratado do Atlântico
Norte] são o alicerce inalienável da nossa segurança”, afirmou,
acrescentando que o Governo alemão irá defender sempre as instituições
que representam o multilateralismo.Para o
chanceler, a segurança europeia e transatlântica “andam de mãos dadas”,
razão pela qual garantiu que a Alemanha apoia uma nova Declaração
Conjunta da UE e da NATO.Por outro lado,
Scholz expressou “grande preocupação” com o conflito na fronteira
russo-ucraniana, garantindo que a Alemanha está pronta para um “diálogo
construtivo” com Moscovo, algo que não deve ser mal interpretado como
uma nova ‘Ostpolitik’ alemã”."Uma 'Ostpolitik' numa Europa unida só pode ser uma 'Ostpolitik' europeia", sustentou.,Sobre
a ascensão da China como potência tecnológica e militar, Scholz
destacou que a UE deve orientar a sua política com base nessa realidade.A
Alemanha e a Europa oferecem a Pequim uma “competição económica justa
em benefício de ambas as partes” e “com as mesmas regras do jogo para
todos”, bem como em desafios globais como a crise climática e a
pandemia, sem que isso implique ignorar a situação dos direitos humanos
na China.No seu primeiro discurso no
Bundestag, Scholz garantiu que a mudança e renovação prometidas pelo
novo Governo serão possíveis, apesar da situação de pandemia, ao mesmo
tempo que apelou à população para que reduza os contactos, se vacine e
que faça exames para combater a atual quarta vaga de covid-19.Scholz
negou que a sociedade esteja dividida e afirmou que a maioria dos
cidadãos está a comportar-se na pandemia de forma “solidária, sensata e
cautelosa”, embora reconheça que há uma minoria de negacionistas que se
dedica a divulgar teorias da conspiração e a desinformar.“Não
permitiremos que uma pequena minoria de extremistas em fuga tente impor
a sua vontade a toda a sociedade”, advertiu, garantindo que o governo
os enfrentará com todos os meios do Estado democrático e de direito.Por
outro lado, Scholz garantiu que o seu Executivo será “um Governo do
progresso”, tanto técnico quanto social e cultural, e que a década de
2020 será um período de mudança, renovação e transformação.“No
século XXI, não precisamos de menos, mas de mais progresso, mas
precisamos de um progresso melhor e mais inteligente”, concluiu.