Novo centro de atendimento para imigrantes em Lisboa só recebe com marcação
9 de set. de 2024, 11:45
— Lusa/AO Online
Frances
Espinho, cidadão brasileiro de 36 anos, a viver em Portugal há mais de
dois anos, era o rosto da frustração e da incompreensão perante a
informação de que não poderia entrar e de que não seria atendido, apesar
de ter sido o primeiro a chegar à porta das instalações, no Centro
Hindu, em Telheiras.É aqui que funciona, a
partir de hoje, o primeiro centro de atendimento para imigrantes da
Estrutura de Missão da Agência para a Integração, Migrações e Asilo, com
uma centena de funcionários, para começar a analisar os mais de 400 mil
processos pendentes de regularização no país.O
centro abriu às 08h00, mas, em declarações à Lusa, Frances Espinho
contou que levou um banco e sentou-se à porta logo às 00h30, “na
esperança de ser atendido”, depois de ter visto “nos noticiários que ia
haver uma megaoperação para tratar os casos dos imigrantes”.No
entanto, quando o atendimento começou, Frances ficou a saber que só
seriam chamadas as pessoas com agendamento marcado, informação que disse
desconhecer.“Deparei-me aqui com essa informação e estou um pouco frustrado”, admitiu.Contou
também à Lusa que nas primeiras três horas de espera esteve sozinho à
porta do centro, mas que a partir mais ou menos das 03h30 “começaram a
chegar outros colegas e lá para as 05h00 intensificou com um grupo maior
de pessoas”.Segundo Frances, essas
pessoas também não tinham agendamento e terão ido embora quando foram
informadas de que o atendimento requeria agendamento prévio.Posteriormente,
este cidadão brasileiro acabou por ser recebido por um funcionário da
AIMA que, à porta do centro de atendimento, veio explicar-lhe que ali só
atendiam pessoas com agendamento e que para outras informações teria de
dirigir-se ao centro da AIMA nos Anjos, apesar de ter deixado a
garantia de que o processo de Frances estava no sistema e que há de ser
chamado.A Lusa tentou falar com algum
responsável da AIMA, no local, sobre a necessidade de marcação prévia
para o atendimento, mas tal não foi possível.Amon
Silva, 31 anos, por outro lado, é um caso de alguém que compareceu hoje
de manhã no centro de atendimento depois de ter recebido um email, por
parte dos serviços da AIMA, no final do mês de agosto.“Recebi um email, cancelando o último agendamento, para vir aqui, para estar aqui hoje”, contou à Lusa.Amon
Silva adiantou que esperava por este agendamento há quase dois anos,
mas agora tem esperança em conseguir regularizar a situação em Portugal,
para onde veio em janeiro de 2022.“É uma espera que vale a pena, para estar legal no país”, disse.A
abertura do centro de atendimento de Telheiras concretiza a intenção
manifestada em 22 de agosto pelo ministro da Presidência, António Leitão
Amaro, de ter “em funcionamento no mês de setembro” os primeiros
centros para atender imigrantes.Além do
apoio linguístico, os novos centros terão estruturas do Instituto de
Emprego e Formação Profissional (IEFP), da Segurança Social e também
associações migrantes.A Estrutura de Missão inclui um reforço, por um ano, de 300 elementos para a AIMA e estará em funções até 02 de junho de 2025.