Novo caso no hospital de Ponta Delgada pode não ter ligação a cadeia já identificada

Covid-19

17 de abr. de 2020, 09:35 — Lusa/AO Online

“À partida não temos indicação, nem informação ainda de que possa estar relacionado com a cadeia de transmissão secundária que se desenvolveu e que estará praticamente circunscrita no hospital”, afirmou, em Angra do Heroísmo, o responsável máximo da Autoridade de Saúde Regional dos Açores, Tiago Lopes, no ponto de situação diário sobre a evolução do surto no arquipélago.Os Açores registaram na quinta-feira três novos casos de infeção pelo novo coronavírus, todos na ilha de São Miguel: duas mulheres de 75 e 86 anos, utentes do lar da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, e um homem de 35 anos, profissional de saúde no Hospital do Divino Espírito Santo em Ponta Delgada.Além deste caso, as autoridades de saúde estão também a apurar a origem da infeção num cidadão sem-abrigo no concelho da Ribeira Grande (São Miguel) e de duas cadeias de transmissão local detetadas em Ponta Delgada.“Importa definir se esses casos positivos não originaram novos casos positivos, não criaram novas cadeias de transmissão e enquanto não tivermos isso assegurado não podemos baixar a guarda e descansar”, salientou Tiago Lopes.Segundo o também diretor regional da Saúde dos Açores, estão já identificadas “dezenas de contactos próximos” para tentar aferir o “foco de infeção” e a possibilidade de ter sido originada uma nova cadeia de transmissão local.“Neste caso concreto do profissional de saúde, atendendo às restrições de ligações aéreas das últimas semanas, não havendo contacto com o exterior, preocupa-nos pelo facto de eventualmente ter tido algum contacto na comunidade, que tenha provocado a sua infeção pela Covid-19”, admitiu.No Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, onde foi detetada uma cadeia de transmissão secundária, iniciada no concelho da Povoação, foram já confirmados cinco casos positivos de Covid-19 em utentes e 13 em profissionais de saúde, três dos quais na sequência de viagens ao exterior (dois deles entretanto recuperados).A Autoridade de Saúde Regional decidiu, por isso, fazer um rastreio à infeção pelo novo coronavírus na unidade hospitalar, testando todos os profissionais de saúde e utentes, tanto os que estão atualmente internados, como os que tiveram alta no último mês, mesmo que tenham já regressado à sua ilha de residência.Já foram detetados 190 resultados negativos neste rastreio e estão a aguardar colheita de amostras e ou resultado laboratorial outros 105, mas, no total, deverão ser englobadas “mais de um milhar de pessoas”.Ao todo foram já detetados 21 casos positivos de Covid-19 em profissionais de saúde nos Açores, ainda que quatro tenham histórico de viagens ao exterior e dois tenham sido infetados em contexto familiar.No lar do Nordeste foram já confirmados nove casos de infeção pelo novo coronavírus em utentes (tendo morrido três) e outros sete casos em profissionais de saúde, que por sua vez a transmitiram a contactos próximos, mas, segundo Tiago Lopes, a cadeia, iniciada na Povoação, que conta já com mais de 30 casos positivos, estará “na iminência de ser concluída”.“Todos os contactos identificados dos últimos casos positivos relacionados com o lar do Nordeste tiveram resultado negativo. Tudo leva a querer que tenha findado ali no concelho do Nordeste e não se terá propagado a nível comunitário”, realçou.Questionado pelos jornalistas, o responsável da Autoridade de Saúde Regional disse que o tripulante do navio cruzeiro Marella Explorer II, que tinha sido resgatado por outros motivos de saúde, foi testado por infeção pelo novo coronavírus e teve resultado negativo.Desde o início do surto foram confirmados 105 casos de Covid-19 nos Açores, 86 dos quais estão ativos, tendo ocorrido 14 recuperações (seis na Terceira, quatro em São Miguel, três em São Jorge e uma no Pico) e cinco mortes (em São Miguel).A ilha de São Miguel é a que registou mais casos até ao momento (68), seguindo-se Terceira (11), Pico (10), São Jorge (sete), Faial (cinco) e Graciosa (quatro).Estão internados nos três hospitais da região e no Centro de Saúde do Nordeste 21 utentes, cinco dos quais em cuidados intensivos.Em vigilância ativa estão 2.098 pessoas e 278 aguardam por colheita de amostras ou resultados laboratoriais.