Novo Banco vai pedir mais uma injeção de 209 ME ao Fundo de Resolução
9 de mar. de 2022, 17:22
— Lusa/AO Online
Segundo o banco, a necessidade de capital
deve-se ao impacto do novo regime de contabilidade e, sobretudo, a uma
contingência relacionada com tributação dos seus imóveis. Em
2017, aquando da venda de 75% do Novo Banco ao fundo de investimento
norte-americano Lone Star, o Fundo de Resolução comprometeu-se a, até
2026, cobrir perdas com ativos 'tóxicos' com que o Novo Banco ficou do
BES até 3.890 milhões de euros.Desde então, a cada ano, as injeções de capital do Fundo de Resolução no Novo Banco têm provocado polémica.Até ao momento, ao abrigo deste acordo, o Novo Banco já consumiu 3.405 milhões de euros de dinheiro público.Além
do valor hoje pedido, e que seguirá para o processo de análise formal
do Fundo de Resolução, o Novo Banco e o Fundo de Resolução têm já
disputas em tribunal arbitral que podem significar mais dinheiro a pagar
pelo Fundo de Resolução, caso o banco ganhe. As
principais disputas são sobre a provisão para o fim da operação em
Espanha (147 milhões de euros), a aplicação do regime transitório da
IFRS9 (cerca de 160 milhões de euros) e a avaliação das unidades de
participação nos fundos de reestruturação (18 milhões de euros).Em
fevereiro, o Fundo de Resolução bancário disse ter "a forte convicção"
de que não seria preciso fazer novo pagamento ao Novo Banco, apesar de
então só ter para análise as contas preliminares do banco de 2021.Também
no mês passado, numa declaração ao jornal 'online' Eco, o ministro das
Finanças disse que “não vai ser necessário a injeção". "Partilhamos a
perspetiva do Fundo de Resolução”, afirmou João Leão.Assim, será provável que pelo menos parte do valor hoje pedido pelo Novo Banco vá também para disputa.Esta
terça-feira, o Presidente da República comentou o provável pedido de
mais dinheiro pelo Novo Banco comparando este problema às infindáveis
"obras de Santa Engrácia"."Nestes tempos
de fim de pandemia ou de transição para a endemia e de guerra, nós
dispensamos obras de Santa Engrácia. Dispensamos", declarou Marcelo
Rebelo de Sousa aos jornalistas, no antigo picadeiro real, depois
adaptado a Museu dos Coches, junto ao Palácio de Belém, em Lisboa.