Novo Banco pede mais 598,3 ME ao Fundo de Resolução
26 de mar. de 2021, 17:31
— Lusa/AO Online
De
acordo com o comunicado da apresentação de resultados,
"em resultado das perdas dos ativos protegidos pelo CCA [MCC] e das
exigências regulatórias de capital, o Novo Banco irá solicitar uma
compensação de 598,3 milhões de euros", superior ao previsto na proposta
de Orçamento do Estado.Assim, "o valor
total das compensações solicitadas entre 2017 e 2019 e a solicitar
relativamente a 2020 totalizam 3,57 mil milhões de euros", sendo que o
teto de transferências do acordo é de 3,89 mil milhões de euros.A
transferência de 476 milhões de euros prevista na proposta de Orçamento
do Estado para o Fundo de Resolução, destinada a financiar o Novo
Banco, acabou por ser chumbada no parlamento, mas o Governo já indicou
que irá cumprir o contrato estabelecido aquando da venda da instituição
financeira à Lone Star.Nos resultados
semestrais de 2020, o Novo Banco tinha estimado que o valor a pedir ao
Fundo de Resolução relativo àquele período (em que registou prejuízos de
555 milhões de euros), seria de 176 milhões de euros.Na
venda, o Fundo de Resolução comprometeu-se a, até 2026, cobrir perdas
com ativos ‘tóxicos’ com que o Novo Banco ficou do BES até 3.890 milhões
de euros.Desde 2017, o Fundo de Resolução
já meteu 2.976 milhões de euros no banco, dos quais 2.130 milhões
vindos de empréstimos do Tesouro (como o fundo não tem dinheiro
suficiente, todos os anos pede dinheiro ao Estado, que devolverá em 30
anos).No total, até ao momento, os custos
do Fundo de Resolução com o Novo Banco já totalizam 7.876 milhões de
euros (4.900 milhões de euros da capitalização inicial, em 2014, e 2.976
milhões ao abrigo do mecanismo contingente desde 2017) e mais encargos
se poderão somar quer para o fundo quer diretamente para o Estado,
muitos dos quais impossíveis de quantificar (indemnizações por processos
em tribunal, pagamentos a credores do BES, garantias a lesados, entre
outros).