Novo apoio social extraordinário será avaliado no final de 2021
OE2021
14 de out. de 2020, 11:44
— Lusa/AO Online
“Na proposta do
Orçamento do Estado [para 2021 (OE2021)] ficou combinado que, no final
do ano, avaliaremos o impacto da medida para perceber qual é que é a
evolução natural a partir daí, mas, neste momento, é uma medida
extraordinária, para um ano, e é assim que está prevista”, explicitou
João Leão, em entrevista durante o Jornal da Noite, da SIC. O
ministro de Estado e das Finanças vincou que a conversão do Apoio
Extraordinário ao Rendimento dos Trabalhadores numa medida definitiva - à
semelhança do aumento do patamar mínimo do subsídio de desemprego para
503 euros que é definitiva –, também está dependente daquilo que “o
Governo e a maioria parlamentar decidirem”.O
novo apoio social de resposta à crise pandémica vai abranger os
trabalhadores por conta de outrem, os do serviço doméstico e os recibos
verdes.De acordo com a proposta de OE2021
“é criado o Apoio Extraordinário ao Rendimento dos Trabalhadores, com o
objetivo de assegurar a continuidade dos rendimentos das pessoas em
situação de particular desproteção económica causada pela pandemia da
doença covid-19”.Serão abrangidos pelo
novo apoio os trabalhadores por conta de outrem, incluindo os do serviço
doméstico e também os trabalhadores independentes que, a partir de 01
de janeiro de 2021, vejam o seu subsídio de desemprego terminar.Para
estas situações, o apoio é pago até dezembro de 2021, por um período
máximo de 12 meses e a prestação tem caráter diferencial, sendo
atribuído mediante condição de recursos.Assim,
para os trabalhadores que virem o seu subsídio de desemprego terminar a
partir de janeiro, o apoio varia entre 501,16 euros e o rendimento
médio mensal por adulto equivalente do agregado familiar, não podendo
ser superior ao rendimento líquido da remuneração de referência que o
trabalhador auferia.O apoio abrange ainda
os trabalhadores que, “por razões que não lhes sejam imputáveis, ficaram
em situação de desemprego, sem acesso à respetiva prestação, e que
tenham, pelo menos, três meses de contribuições nos 12 meses
imediatamente anteriores à situação de desemprego”, estabelece a
proposta preliminar.A prestação tem “como
limite 501,16 euros, não podendo, em nenhum dos casos, o valor do apoio
ser superior ao rendimento relevante médio mensal de 2019”, lê-se no
documento.A proposta do Governo define
ainda que o apoio tem um limite mínimo de 50 euros, “com exceção das
situações em que a perda de rendimentos do trabalho foi superior a 1
IAS, em que o limite mínimo do apoio é de 0,5 IAS”.Os
beneficiários da nova prestação estão sujeitos aos deveres previstos na
lei para quem recebe o subsídio de desemprego, como a procura ativa de
emprego ou aceitar trabalho conveniente ou socialmente necessário.Os
trabalhadores que perderem o subsídio de desemprego a partir de janeiro
de 2021 e que tenham direito a subsídio social de desemprego, recebem
“um complemento extraordinário que corresponde à diferença entre o valor
desse subsídio e o valor a que teriam direito” do novo apoio, define
ainda a proposta orçamental.Ainda durante a
entrevista, questionado sobre se o governante conseguia garantir que
não haverá necessidade de injetar mais dinheiro no Novo Banco, João Leão
não se alongou, limitando-se a dizer que o “Estado não tem nenhum
empréstimo previsto no Orçamento do Estado” do próximo ano para o Fundo
de Resolução.“O Fundo de Resolução vai
pedir empréstimos à banca, ao setor financeiro, para depois, em função
das necessidades, transferir para o Novo Banco. Vai ser uma operação
entre o setor financeiro. A banca empresta ao Fundo de Resolução para
injetar na banca".“O que é crucial para
esta fase e para a decisão que devemos tomar é que não está previsto
neste orçamento autorização para um valor para o Fundo de Resolução”,
reiterou o ministro das Finanças.João Leão
disse ainda que o executivo liderado pelo socialista António Costa
“quer dar um sinal a todas as empresas de que está preparado, durante o
próximo ano e em função da evolução da pandemia, para continuar a apoiar
as empresas a manter o emprego dos trabalhadores, financiando parte dos
custos do trabalho”.O governante
enalteceu algumas medidas, como, por exemplo, a extensão das moratórias e
a adição de mais seis mil milhões de euros em linhas de crédito.