Novas medidas chegarão ao parlamento “nos próximos dias”
Habitação
5 de abr. de 2023, 10:55
— Lusa/AO Online
Em audição na
Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, a
ministra da Habitação, Marina Gonçalves, fez uma apresentação do
Programa Nacional de Habitação, constantemente acompanhada por
burburinho, sobretudo dos deputados do PSD.Na
primeira ronda de perguntas, o maior partido da oposição apresentou um
“protesto veemente” ao Governo por não ter enviado, antes da audição, a primeira regimental da ministra, as medidas do programa Mais
Habitação que têm de ser submetidas à Assembleia da República.“Chega
aqui sem ter as propostas no parlamento? O que estamos aqui a fazer? No
parlamento só existe um pacote sobre habitação, o do PSD”, recordou o
deputado social-democrata Paulo Rios de Oliveira, perguntando quando
chegariam as medidas.Marina Gonçalves não
respondeu à primeira e o deputado voltou a perguntar. A ministra
respondeu então: “Vão entrar nos próximos dias, o programa só foi
aprovado na quinta-feira [dia 30 de março]”.O
PSD acusou a ministra de falar como uma “cassete” e de recorrer a
“‘powerpoints’ e fotografias da Remax [nome de uma imobiliária]”.Para
o maior partido da oposição, o facto de o programa Mais Habitação ainda
não ter dado entrada no parlamento causa “um efeito devastador na
confiança dos investidores, dos inquilinos e dos senhorios”.Em
reação, Marina Gonçalves acusou o PSD de fazer “debate demagógico”
sobre o tema da habitação, nomeadamente limitando a discussão ao
arrendamento coercivo de habitações devolutas.A
ministra recordou que, hoje, o IMI [Imposto Municipal sobre os Imóveis]
agravado é um instrumento que já existe para mobilizar o património
devoluto e muitos municípios já podem e já compram e expropriam para
reabilitar as casas.“Não diabolizamos ninguém”, frisou, realçando a necessidade de mobilizar todos os atores do setor.Sobre
a apresentação que trouxe aos deputados, Marina Gonçalves disse que
“não são anúncios”, mas sim “obra que está no terreno”, e acentuou na
“mobilização do património do Estado para atribuir às famílias”.