Novas ameaças à cibersegurança devido à guerra na Ucrânia
29 de dez. de 2022, 15:29
— Lusa
“A
mitigação progressiva da pandemia e o surgimento de uma guerra na
Ucrânia fizeram emergir novos fatores de ameaça”, lê-se na quarta edição
do relatório sobre a cibersegurança em Portugal hoje divulgado pelo
Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS).O
documento, que estudou as atitudes, comportamentos, sensibilização e
educação relativamente à cibersegurança em Portugal, precisa que a
pandemia favoreceu as burlas online, o comprometimento de sistemas
próprios do trabalho remoto e o ‘phishing’ especialmente ligado à banca,
aos transportes e logística e à captura de credenciais de e-mail. “Com
o emergir da guerra na Ucrânia, já em 2022, surge com um reforço na sua
relevância a ciberespionagem, o comprometimento de cadeias de
fornecimento, o DDoS [negação de serviço] e o ‘phishing’ dirigido a
pessoas específicas, entre outros, com tendência para afetar a
administração pública e os operadores de serviços essenciais”, salienta o
relatório que incide em particular sobre 2021, mas também apresenta
dados e leituras relativas a 2022. O CNCS
destaca que, em ambos os cenários, “algumas ameaças são constantes, como
o 'ransomware', por exemplo”, tendo persistido no ano passado como
“ameaças importantes o phishing/smishing/vishing, o ransomware, a
fraude/burla online, o comprometimento de contas e a exploração de
vulnerabilidades”.A quarta edição do
relatório sobre o tema Sociedade, do Observatório de Cibersegurança do
CNCS concluiu que se verificou em 2021 uma tendência, que já se fazia
sentir em 2020, de aumento dos usos da internet e de alguns serviços
críticos para a cibersegurança, como o e-mail, o telefone e
videochamadas online, as mensagens instantâneas, o banco online e as
compras online. “Ameaças muito frequentes
como o ‘phishing, o vishing, o smishing’, o comprometimento de contas e a
burla online utilizam estes serviços como superfícies de ataque. Uma
maior utilização destas plataformas significa uma maior exposição aos
riscos, logo, uma maior necessidade de cuidados”, refere, dando conta
que o termo cibersegurança passou a ser mais pesquisado online em
Portugal a partir de 2020, comparando com 2019, verificando-se uma
ligeira descida em 2021 e um aumento significativo no primeiro semestre
de 2022. O CNCS justifica estes aumentos
em 2020 e no primeiro semestre deste ano com a pandemia e ataques “muito
relevantes a organizações portuguesas”.O
relatório sublinha também que se verificou “uma tendência positiva no
que se refere ao conhecimento e práticas relativos à gestão dos dados
pessoais online por parte dos indivíduos”, existindo “ainda uma
discrepância entre perceção e realidade relativamente às compras
online”.De acordo com o CNCS, a ideia de
que a segurança e a privacidade são problemas “é muito maior entre os
indivíduos que percecionam uma barreira às compras online, ao ponto de
não as realizarem, comparando com os problemas de fraude efetivamente
identificados entre os que fazem esse tipo de compras”. O
documento dá também conta que as pequenas e médias empresas (PME)
portuguesas reconhecem mais que sofrem cibercrimes e revelam mais
preocupações quanto aos riscos de os virem a sofrer do que a média da
União Europeia (UE), mas também reportam mais os incidentes às
autoridades do que a média da UE.“No
âmbito da administração pública, são notórias algumas tendências
negativas: existem menos estratégias para a segurança de informação
definidas e uma maior necessidade de reforço das competências em
segurança das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Mais
positivos são os dados que mostram aumentos na aplicação de medidas de
segurança das TIC e na disponibilização de recomendações de boas
práticas nestes organismos”, frisa.O
relatório salienta igualmente que são poucas as PME portuguesas que
realizam ações de sensibilização aos seus funcionários no âmbito da
cibersegurança, enquanto na administração pública são efetuadas com
maior frequência, mas sobretudo de forma voluntária, sendo poucas as
obrigatórias, apesar da percentagem deste tipo de ações estar a aumentar
na administração pública.O CNCS indica
ainda que está a registar-se um crescimento no número de cursos
superiores de cibersegurança e segurança de informação, nomeadamente
cursos de Técnico Superior Profissional (TESP), e também de alunos
inscritos, mas, por outro lado, verifica-se um decréscimo no número de
alunos diplomados.